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Este blog continua! Apenas começamos...

Caríssimos amigos,

Informamos-lhes que o blog Voto Católico continuará no ar e operando de maneira permanente. Mesmo fora de tempo eleitoral consideramos que é importante contribuir, ainda que com um pobre aporte, para o surgimento de "uma nova geração de católicos que se comprometam na atividade política com coerência e sem complexos de inferioridade", como pediu o Santo Padre em 12 de outubro passado.

Queremos também ser uma veículo, um instrumento, para divulgar a voz dos Bispos que, em comunhão com Pedro, ensinam e orientam seus fiéis a respeito das conseqüências sociais do seu "ser cristão". Alguns deles sofreram pressões nos meses passados, inclusive ameaças à própria vida, com o objetivo de serem silenciados. A estes e a todos os Prelados que queiram, como o Bom Pastor, chamar suas ovelhas e dar a vida por elas, dizemos-lhe com humildade e alegria: este espaço é seu!

"O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas... Caros irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo", lembrou o Papa no dia 28 de outubro passado aos nossos Pastores.

Pois bem, neste espaço encontrarão sempre as portas abertas. Sintam-se à vontade e que este site possa ser-lhes útil.

PRETENDEMOS:
§ Veicular a Voz dos nossos pastores;
§ Selecionar e publicar textos, vídeos e áudios de terceiros, caraterizados por sua competência e fidelidade ao Magistério, que contribuam para a formação doutrinal e política dos católicos;
§ Elaborar e publicar algumas análises próprias sobre assuntos de interesse político e social para os católicos, sempre fazendo uso da doutrina social da Igreja; 
§ Disponibilizar, eventualmente, alguns dossiês temáticos para download. O primeiro sairá ainda este mês.  

Caso deseje participar conosco, escreva para voto.catolico.br@gmail.com.
Caso você tenha algum texto ou informação interessante para publicar, envie para  voto.catolico.br@gmail.com.
Se você gostou do trabalho do Voto Católico, ajude-nos a divulgar, indicando-o para um amigo.

Nos próximos dias o site passará por uma reformulação em sua estrutura, para melhor servir-lhes. Porém, todos os dias publicaremos alguns materiais. Contamos com sua paciência e estamos à disposição no que pudermos ser úteis.

Que a Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida, nos abençõe a todos e nos ajude no cumprimento de nossa missão de leigos católicos filhos da Terra de Santa Cruz!

Os Editores.


Existe esperança!


A eleição terminou, mas a  luta não. A senhora Dilma Rousseff é a nova Presidente do Brasil. A primeira ex-guerrilheira no Executivo do país. Militante de um partido com uma agenda programática agressiva ao direito à vida e ao reconhecimento da família como comunidade fundada na união indissolúvel de um homem e uma mulher. Membro do núcleo duro do Partido que opera o projeto de um "socialismo democrático" que transcende a Lula, e que leva em si o gene autoritário. Segundo José Dirceu, "a eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa".

Nosso espelho hoje é a Espanha do PSOE e de Rodríguez Zapatero, onde o "socialismo democrático" liberou o aborto durante toda a gestação, reconheceu a união civil entre pessoas do mesmo sexo equiparada a matrimônio, e portanto, com direito à adoção; possibilitou o divorcio unilateral e imediato, restringiu a liberdade de educação dos pais e dos grupos religiosos, empreendeu uma intensa deconstrução das raízes culturais da nação, limitou o direito à livre associação, e persegue o direito à objeção de consciência, entre outras coisas. Hoje sabemos o que sentiram os católicos espanhóis em 9 de março de 2008, quando Zapatero foi reeleito.

Pois bem, é tempo de orar, de orar por todas as autoridades eleitas, todas elas. Orar pela senhora Dilma Rousseff, segundo nos ensina uma perene tradição eclesial "orem por todos os que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1 Tm 2: 1-4) porque devemos "pagar a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra" (Rm 13.7). 

Porém, a Igreja nos ensina que "não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas" (Rm 13.1). A fonte de todo poder é Deus,  e o poder se comunica através das causas segundas, pela forma em que decidimos organizar a sociedade. Os que exercem o poder fazem-no de maneira vicária, são administradores de uma autoridade que não vem deles, que não é absoluta e que está sempre ao serviço do Bem Comum e sujeita à ordem moral.

A exemplo de Santo Tomás Moro, ela terá de nós respeito e obediência em tudo aquilo que mande e esteja ordenado ao bem comum e não confronte a lei natural e a lei de Deus, mas quando fira estes princípios terá certamente nossa firme e contundente oposição. Somos obrigados, não só a não obedecer, mas também a nos opor ativamente às leis iníquas.

É tempo também de combater. Combater sem descanso, sem medo, generosamente, sem respeitos humanos. Combater a imagem ideologizada do homem e da sociedade que pretendem nos impor, combater toda iniciativa de agressão à pessoa humana, à sua liberdade, aos seus direitos fundamentais, à reta constituição da família e da sociedade; combater o autoritarismo do chamado socialismo democrático, combater seu laicismo militante e pragmático, combater, sem nunca esquecer, que dito combate tem uma dimensão espiritual que lhe dá seu sentido profundo, trata-se de lutar para que Cristo, nosso Rei, reine na Terra de Santa Cruz.

Combater sabendo que Ele não reina com um sistema político. Seu reino não esta atrelado aos governos do mundo, mas a ordem temporal esta chamada a desenvolver-se sob seu Império. Desta luta surgirá "uma nova geração de católicos coerentes que atuem sem complexos de inferioridade na vida política", como pede o Papa. O combate deve ser travado com plena consciência da responsabilidade histórica que temos com a próxima geração. Eles e Deus serão quem nos julgarão.

É tempo de esperança, porque como o Papa recentemente nos lembrou, Cristo é o Senhor do mundo e exerce soberanamente seu poder. "As ideologias que dominam, que se impõem com força, são divindades. E na dor dos santos, na dor dos fiéis, da Mãe Igreja, da qual nós somos parte, devem cair essas divindades, deve realizar-se o que diz a Carta aos Colossenses e aos Efésios: as dominações, os poderes caem e tornam-se súditos do único Senhor Jesus Cristo", nos ensina Pedro.

Caros amigos, repetimos: é tempo de esperança. Como disse Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o leão de Guarulhos, o Evangelho da Vida já ganhou muito. Só lembrem-se da alegria de ver a tantos e tantos acordar do sono morno e se colocar de pé na trincheira, dispostos à luta. Lembre-se do que você experimentou ao ouvir Bispos que, com grande coragem e sem medo, por amor às suas ovelhas, alçaram sua voz, e dita voz  foi escutada. Lembre-se do que sentiu ao escutar o próprio Pedro confirmar seus irmãos e nos encorajar a assumir nossa responsabilidade temporal. Há quanto tempo isto não acontecia no Brasil! 

É tempo de esperança e de organização, por isso, como presente para todos vocês, deixamos-lhes o atualíssimo texto a seguir do Beato Anacleto Gonzáles Flores, escrito em 1918, na época em que um poder autoritário preparava no México uma encarniçada luta contra as liberdades, especialmente a religiosa. Este leigo, casado, com filhos, advogado, jornalista, apóstolo da juventude e líder de diversos grupos sociais, que morreu mártir, nos deixa como herança, hoje, uma palavra-chave: organização.
Agora é joelho no chão, espada na mão, e fogo no coração!
 Boa leitura e que o Cristo Rei do Corcovado seja símbolo do Seu dominio sobre nós.
Viva Cristo Rei!

Os Editores | 31 de outubro de 2010.
Na véspera da festividade de todos os santos.

Existe esperança!


“Tudo está perdido”. Está é a frase que escapa dos lábios de muitos que não se deram o trabalho de estudar nossa situação e que ignoram ou aparentam ignorar que, tanto os indivíduos como os povos, são suscetíveis de regeneração. Sim; apesar do pessimismo e do desânimo de quase todos, da covardia, da preguiça e da desorientação, nós não desistiremos jamais de escrever palavras de esperança e de confiança de que o futuro pode ser nosso, que as classes sociais ainda podem render uma homenagem de adoração a Cristo e que a pátria pode ser salva, ainda quando caminhe a largos passos para a pendente catástrofe e para a ruína.

Mas, “tudo conspira contra nós”, dizem alguns com tom de lamento; sim, é certo, tudo se conjuntura contra nós, mas o que devemos muito lamentar é que as loucuras, as paixões e a degradação dos homens se rebelam contra o único que é santo e digno de veneração que existe sobre a terra: a Igreja. O que devemos lamentar é que a grande maioria dos católicos esperam que o ressurgimento da Pátria seja obra só de Deus, o resultado prodigioso de um milagre; e não uma obra na qual haja, por uma parte, o influxo de nosso Criador, e por outra, um esforço humano com tudo o que este tem de forte e eficaz. Este tem sido o papel que mais temos feito, ou seja, o de meros espectadores sentados, que com todos os tons cantam elegias sobre as ruínas amontoadas pelo cataclisma. E não é, e nem deve ser este, o nosso papel: ainda há no elemento católico energias que podem ser postas em ação de tal maneira que se lhes lancem a lutar contra os sustentadores do mal e se empenhem pelo caminho da reconstrução; assim, se alcançará uma vitória completa e conseguiremos que o bem triunfe sobre o erro e mal.

Isto exige, desde agora, que todo os católicos se convençam de que é preciso sair da inércia em que até agora têm vivido, que é necessário deixar a preguiça, que é urgentíssimo entrar em ação, indispensável que nosso influxo se faça sentir forte e incontrastável sobre a sociedade para orientá-la e regenerá-la. Agora é urgente a necessidade de sair de todos os templos para ir em busca das almas, colocarmo-nos em contato com todas as classes sociais, iluminá-las com a doutrina da Igreja, para transformá-la com nosso exemplo, atraí-las com a caridade, e, sobretudo, organizá-la de uma forma que encontre remédio eficaz para suas misérias econômicas, intelectuais e morais por meio da associação que, como o tem demonstrado a experiência, é o grande poder que pode nos dar o triunfo.

A ação é o único que pode nos salvar; mas não uma ação que se limite a adorar a Deus, a freqüentar os sacramentos e a consagrar-se ao templo de um modo exclusivo e único; não, partindo da adoração e da vida sacramental, trata-se de desenvolver um movimento de caráter profunda e genuinamente cristão, que incida na vida social e política, e que tenha por sinais predominantes um amor forte e sincero a nossos irmãos inspirados no amor intenso e incalculável que devemos professar ao nosso Criador.

Consagremo-nos para a levar a luz ao horizonte obscurecido pela ignorância e pelo erro, conquistemos as classes sociais com um apostolado incansável e procuremos, o quanto antes, sacudir a inércia, associando-nos, organizando-nos, colocando em prática os ensinamentos da Igreja para contribuir, deste modo, para a salvação da Pátria.

Beato e mártir Anacleto González Flores, artigo do jornal La Palabra.
Guadalajara, México, 21 de julho de 1918.

Na imagem: Praia da Coroa Vermelha, Santa Cruz de Cabrália, Bahia, Brasil. Local da Celebração da Primeira Santa Missa em solo brasileiro, dia 26 de abril de 1500.

Critérios para Votar

A eleição presidencial deste 31 de outubro, representa para nós católicos, uma difícil escolha moral. Os candidatos que concorrem têm algumas convicções que contrariam a lei natural e a lei de Deus. Em circunstancias ordinárias  não poderíamos votar neles. Porem a situação que vivemos hoje não está no campo da normalidade. Aliás, a situação é semelhante no mundo inteiro. O Ocidente passa por um processo de auto-degradação; a democracia liberal virou um fetiche praticamente inquestionável sob qualquer aspecto; países outrora católicos abandonaram os princípios cristãos e até os princípios da ordem natural, o católico brasileiro hoje encontra-se diante do seguinte dilema, votar aplicando a doutrina do mal menor, anular o voto ou se omitir.

O recente discurso do Papa aos Bispos do Regional Nordeste 5, ilumina extraordinariamente este momento: 
"O dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural [...] Deus deve encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política".
"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases [...] Em determinadas ocasiões, os Pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum".
Caros amigos, escutando ao Santo Padre, lhes convidamos a não perder a esperança, a não se omitir nem anular o voto, pois isto só ajuda ao Partido que é programaticamente em favor da Cultura da Morte, como o Rev. Pe. Loidi já explicou. Lhes invitamos a votar fazendo uso do principio do mal menor e, ao mesmo tempo, a se comprometer a trabalhar para limitar os efeitos negativos dessa escolha, e sobretudo, a lutar para que a ordem natural seja respeitada e que Cristo possa reinar na Terra da Santa Cruz.


CINCO PASSOS PARA VOTAR

1. Decidir realizar seu sufrágio de maneira responsável e consciente.

2. Valorar quais partidos e candidatos respaldam os princípios irrenunciáveis que a Igreja nos pede defender. Especialmente o direito à vida e à família constituída sobre o matrimonio de um homem e uma mulher. Se nenhum partido ou candidato o faz plenamente, então, discernir, qual representa uma ameaça menor á vivência pública de ditos princípios.

3. Verificar que o candidato que elegi não tenha histórico de corrupção. Se todos os candidatos tem fatos de corrupção no seu histórico, valorar a gravidade dos mesmos e que tão institucionais ou sistemáticos foram.

4. Votar, no dia da eleição, garantindo que seu voto seja livre, orientado ao Bem Comum e não pautado por motivos egoístas ou de conveniência particular.

5. Assumir o compromisso de que sua responsabilidade cívica não se limite ao voto.

DEZ PRINCÍPIOS IRRENUNCIÁVEIS NA HORA DE CONSIDERAR EM QUEM VOTAR

1. Respeito à vida humana em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural.

2. Defesa da família fundada no matrimônio, união de um homem e uma mulher, caraterizada por ser monogâmica, indissolúvel, complementaria e aberta à vida .

3. Respeito à liberdade religiosa e de consciência, entendidas como o direito de todo homem de render culto privado e público a Deus segundo sua reta razão.

4. Defesa da liberdade de educação, pela qual os pais podem oferecer a seus filhos formação dentro do lar e aceder a instituições que colaborem harmoniosamente com eles na oferta de instrução formal.

5. Considerar o poder político como um serviço que leva a procurar e realizar o bem comum acima do interesse e benefício particular.

6. Promoção das pessoas mais pobres da comunidade, garantindo-lhes ao menos oportunidades de desenvolvimento e  condições dignas de vida.

7. Defesa do direito de todo cidadão a ter um trabalho digno, com remuneração familiar, e com justa participação nas utilidades da empresa da que forma parte.

8. Respeito à liberdade de iniciativa econômica sem regulações excessivas por parte do Estado, garantindo o acesso à propriedade, com sua conseqüente co-responsabilidade com os deveres de justiça social.

9. Respeito à liberdade de expressão e de de imprensa, dentro do marco do respeito à Verdade, à fama dos particulares e ao exercício ético da geração e divulgação de informação e opinião.

10. Promoção de uma adequada relação entre a Igreja e o Estado, caraterizada pelo respeito e a mútua colaboração, reconhecendo a justa atribuição que a Igreja tem de formar a consciência dos seus fieis.


Para ilustrar e encorajar nosso voto

Caros leitores, deixamos aqui trechos do pronunciamento do Santo Padre ao Brasil, por meio dos Bispos do Regional Nordeste 5. Dele, Dom Henrique Soares da Costa disse: "As palavras do Santo Padre aos Bispos do Maranhão, palavras ditas nesta semana, são bem endereçadas ao Brasil de agora. Penso que iluminam muito da atuação dos Bispos durante este período eleitoral... Compare as palavras do Papa com a de alguns irmãos no Episcopado e veja quem está com a razão e quem não está, quem pensa como o Papa e quem pensa a partir de outras categorias e prioridades ideológicas, alheias ao Evangelho... Estas palavras, para alguns serão consolo; para outros, uma bela advertência!".

"O dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76). 

Votando corretamente

Assista a este vídeo da Realcatholictv, que sublinha a importância de se considerar, na hora de votar num candidato ao Executivo, a possibilidade de eleger alguém que possa usar o poder de veto em favor da vida. Ainda que o vídeo se refere à realidade estadounidense, é ilustrativo para nossa situação no Brasil. Assista a outros vídeos com legendas em português no blog Vortex.

O voto Católico segundo um Principe da Igreja

O cardeal Dom Eugenio Sales, Arcebispo emérito da Arquidioceses de São Sebastião do Rio de Janeiro, escreveu este artigo na véspera do primeiro turno eleitoral. Por sua atualidade,  reproduzimo-lo hoje.

As eleições neste domingo e sua importância vão além do exercício de um dever cívico. [...] Esse pleito deve ser avaliado segundo os critérios do Evangelho.

No que toca à sua missão, não compete à Igreja, essencialmente, sugerir uma opção partidária determinada. Mas sim conclamar todos os seus leigos, cuja vocação é exatamente a de santificar a realidade temporal, para que cada um assuma suas responsabilidades com empenho e coerência. Tenha-se em mente que o cabal respeito ao julgamento das urnas jamais poderá ser empanado por eventuais falhas na escolha de homens para determinados cargos. Qualquer restrição neste terreno trará prejuízos de monta.

Quando o Pastor cuida das ovelhas: Comunicado do Bispo de Guarulhos a seus diocesanos

Caros diocesanos:
Tomei conhecimento de um panfletinho intitulado “Católicos de Guarulhos com Dilma 13 Presidente - Razões que nos levam a votar em Dilma”. Segundo informações que tivemos, o panfletinho será distribuído, à revelia, nas saídas das missas deste final de semana, 30 e 31 de outubro, nas Igrejas Católicas de Guarulhos. Trata-se de um manifesto baseado na mentira e no oportunismo de membros do Partido dos Trabalhadores.

O panfletinho diz: “Acompanhamos, com grande surpresa, as declarações do nosso bispo sobre as eleições. Nós o respeitamos como nosso bispo, mas constatamos que suas posições sobre o momento político não tem aval da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, e dos bispos da regional Sul 1 (Estado de São Paulo). Nós leigos católicos de Guarulhos lamentamos não termos sido chamados para o diálogo e debate desta questão. Afinal sabemos que temos muito a colaborar no mundo da sociedade e da política”.

O voto o os 10 mandamentos

Assista a este vídeo da Realcatholictv, que aborda a relação que tem o decálogo com o ato de votar. Ainda que, se refere à realidade estadunidense, marcada pela disputa entre republicanos e democratas, o aspecto doutrinal do qual trata não perde atualidade para o Brasil. Veja amanhã "Votando corretamente". Assista outros vídeos com lendas em português no blog Vortex.


Os Bispos tem dever de emitir juízo moral em política sem temer oposição ou impopularidade, diz o Papa ao Brasil

Oferecemos o discurso do Papa Bento XVI oferecido hoje a os Bispos do Regional Nordeste 5 que estão em visita ad limina em Roma, nele o Santo Padre diz aos Prelados "o vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".

O papa encoraja aos Bispos brasileiros a defender a vida e a não "temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo". Eis aqui o texto completo, os sublinhados são nossos.

Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua trascencendencia, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. 

A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

S. S. Bento XVI,
Roma, 28 de octubre de 2010

Sobre a Nota dos Bispos do Regional Leste 1

Os Bispos do Regional Leste 1 da CNBB, - entre os quais me incluo - diante da realização do 2º turno das eleições para a Presidência da Republica, em sintonia com a “Nota da CNBB em relação ao Momento Eleitoral”, confirmam sua posição expressa em junho passado no início do processo eleitoral.

Por sua universalidade a Igreja católica não tem partido ou candidato próprios, mas incentiva agora mais do que nunca a dar o voto a quem respeita os princípios éticos e os critérios da Moral Católica, indicados na Doutrina Social da Igreja. 

O Evangelho da Vida já é o grande vencedor


Introdução
“Não temais, pequeno rebanho”
(Lucas 12, 32) 

Queridos Diocesanos,
Sei que muitos de vós estais sofrendo diante das notícias que circulam nos meios de comunicação envolvendo o nome do Bispo de Guarulhos e da nossa Diocese. Com o coração de Pastor dessa porção do Povo de Deus, tomei a decisão de escrever-vos e partilhar a verdade daquilo que realmente aconteceu e está acontecendo, a fim de sanar as inúmeras dúvidas para que a paz e a serenidadese restabeleçam em vossos corações.

Padre Paulo Ricardo de Azevedo defende o "Apelo"





Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é Vigário Judicial da Arquidiocese de Cuiabá, em Mato Grosso.
Cuiabá, 12 de outubro de 2010.

Homilia do Padre José Augusto Souza Moreira


Veja a Homilia que o Padre José Augusto pronunciou ontem, 5 de outubro, durante a Santa Missa televisionada pela Canção Nova.

Padre José Augusto Souza Moreira é sacerdote incardinado na Diocese de Lorena, e membro do conselho diretivo da Comunidade Canção Nova e seu responsável pela formação sacerdotal.
Cachoeira Paulista, 5 de outubro de 2010.


Nota dos Editores:
Lamentavelmente, horas depois da transmissão da homilia, a comunidade Canção Nova emitiu dois comunicados, um de seu fundador, o Monsenhor Jonas Abib, e outro do senhor Wellington Silva Jardim, presidente da Fundação João Paulo II, mantenedora civil da comunidade.

O senhor Silva Jardim, que na prática é o chefe administrativo da comunidade, foi um dos responsáveis pelo envio de cartas oficiais da comunidade aos seus associados, amigos e afins para divulgar, entre outras, a candidatura do professor Gabriel Chalita, do Partido Socialista Brasileiro.

Chalita, em entrevista à Folha de São Paulo publicada ontem, declarou que se empenharia pessoalmente em fazer ver no ambiente da Renovação Carismática Católica que a senhora Dilma Rousseff nunca foi favorável ao aborto. O que é falso. Questionado sobre se era cotado para assumir o Ministério de Educação num eventual governo do PT, ele desconversou, afirmando que só era candidato a "fazer a lei de responsabilidade da educação, que é uma lei que estabelece sanções a quem não cumpre metas. O que falta no Brasil é continuidade". Será?

Cabe lembrar que o professor Chalita move um processo contra a comunidade Família de Deus por supostamente produzir -o que o grupo nega- e divulgar um video que questiona o apoio do professor à Candidata.

Autenticidade e coerência

Em nossos artigos publicados na Folha Diocesana nos meses de julho e de setembro, respectivamente sob o titulo “Daí a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” e “Eu vim para que todos tenham vida” alertamos nossos diocesanos sobre sua responsabilidade na defesa da fé e dos costumes, de acordo com a lei de Deus e a lei natural que tem sua fonte no próprio Deus.

Referíamos de modo especial à defesa do ser humano, obra prima de Deus e que a Ele pertence e que ninguém, nenhum poder ou autoridade humana tem o direito de interrompe-la de qualquer modo que seja, desde a sua concepção. Entretanto existem aqueles que alegam que a mulher tem direito sobre seu próprio corpo e por isso poderiam interromper essa vida, fazer um aborto. É uma falácia.

Uma "nova" estratégia, mudar para ganhar

Assim que a confirmção de que haverá segundo turno foi divulgada, o Partido dos Trabalhadores e sua candidata, a senhora Dilma Rousseff, ofereceram à imprensa um posicionamento novo sobre a questão do aborto. Diante do resultado da eleição, muito aquém do que esperavam, a equipe de campanha petista considera que este tema tirou-lhes um significativo número de votos entre católicos e evangélicos.

A manchete da Folha de São Paulo de hoje diz: "PT já discute retirar o aborto do programa de governo". Na capa, a matéria recolhe as declarações afinadas de alguns petistas que reconhecem que "foi um erro [o Partido] ser pautado por algumas feministas", aliados consideram que "pode lhe custar a Presidência", e cogitam retirar, em reunião da Executiva nacional, uma proposta aprovada por maioria esmagadora no 3º Congresso da sigla em 2007 e ratificada no 4º Congresso realizado em fevereiro deste ano, e que foi entregue como Programa de Governo da candidata ao Tribunal Superior Eleitoral.

Diante desta tentativa de reformulação, perguntamo-nos: 
- O aborto estava ou não estava contemplado no Programa de Dilma Rousseff? A resposta é sim. Para poder tirá-lo, quer dizer que o mesmo estava incluído, sim.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller aos católicos do Brasil



Dom Antônio Carlos Rossi Keller é Bispo da Diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul.
Frederico Westphalen, 01 de outubro de 2010.

Quando um católico vai votar, deve lembrar que há princípios não-negociáveis

Por sugestão de um amável leitor, apresentamos o resumo redigido pela jornalista Nieves San Martín de um texto enviado por Stefano Fontana (na foto), diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân, à Agencia de Noticias Zenit. A síntese da jornalista foi publicada no dia 10 de abril de 2008. Caso você conheça o texto original de Fontana, muito lhe agradeceríamos se pudesse nos enviar para publicá-lo na íntegra.

Quando um católico vai votar, deve levar em consideração que há «princípios não-negociáveis», afirma o diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina Social da Igreja, Stefano Fontana, em um comunicado enviado à Zenit.

Entre estes princípios não-negociáveis, encontra-se a vida, a família, a liberdade de educação e liberdade religiosa.

Não, senhor Presidente; não, senhora candidata, nossos Bispos não mentem

A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, Dilma Rousseff, perdeu cerca de 6 milhões de votos nas duas últimas semanas, segundo indica uma análise feita pelo jornalista Fernando Canzian, publicada hoje na Folha de São Paulo. Os dados foram calculados a partir dos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto da empresa Datafolha. A diferença da petista para a soma de todos os seus adversários caiu de 14 pontos percentuais para apenas 2, abrindo maiores possibilidades de um segundo turno.

Segundo o próprio jornal, o PT identificou três motivos para a queda: o caso de corrupção da ex-ministra Erenice Guerra, o clima de "já ganhou", e a difusão virtual de "boatos" entre católicos e evangélicos de que Dilma aprova o aborto e o "casamento" homossexual. A materia do jornal utiliza a palavra "boato", tomada diretamente das declarações de petistas do comando da campanha; para eles seria mentira que o PT e sua candidata apóiem o assassinato de nascituros e a equiparação da união civil entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio.

Dilma e o Senhor Jesus Cristo

Depois de saber que a então ministra Dilma Rousseff, há pouco tempo, havia participado da missa do padre Marcelo Rossi, abrindo inclusive a celebração com a leitura da Bíblia, procurei descobrir onde poderia ficar a "estrada de Damasco" da conversão da ex-guerrilheira comunista; dessa mulher que, aliás, há dois anos, questionada sobre a existência de Deus, respondera: "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?".

Mas voltemos a "Damasco". Eu estava ainda procurando, sem muita esperança, a tal estrada, quando, de repente, no último dia 19 de agosto, fui "transportado em espírito" para Brasília e eis que apareceu na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a própria Dilma, com uma voz fulgurante como o sol do meio-dia: "Você me desculpe, mas eu não sou de outra religião para ser convertida. Eu sou de origem cristã e católica, fui batizada", respondeu a agora candidata petista ao jornalista que ousara perguntar se ela havia se convertido. E eis que apareceram nas mãos de Dilma dois documentos que ela brandia como armas vitoriosas: a carta-compromisso intitulada Carta Aberta ao Povo de Deus e a cartilha Treze motivos para o cristão votar em Dilma Rousseff.

Os católicos e as eleições de 2010

A alguns dias das eleições, todos os católicos brasileiros deveriam estar fazendo a si mesmos a seguinte pergunta: "Como posso contribuir com o meu voto para o Bem Comum da nossa nação?"

Dada a importância destas eleições, um voto em branco ou nulo pode significar, para muitos, um pecado de omissão grave. Há a necessidade de eleger governantes que respeitem os nossos valores, direitos e interesses que estão profundamente ameaçados por políticos mais interessados em implantar ideologias liberais e marxistas nocivas à dignidade dos homens.