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Os cardeais Scherer e Hummes representarão a CNBB na beatificação do Papa João Paulo II

Especial Beatificação João Paulo II | 30.V.11 | Os cardeais dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo (SP), e dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero no Vaticano, representarão oficialmente a Igreja Católica do Brasil na celebração da beatificação do papa João Paulo II, em 1º de maio.

A pedido da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer representará a entidade, pois, dom Geraldo Lyrio Rocha (Presidente da CNBB), dom Luiz Soares Vieira (Vice-presidente) e dom Dimas Lara Barbosa (Secretário Geral) estarão envolvidos com a organização da 49ª Assembleia da CNBB, que começa no dia 4, em Aparecida (SP).

Com informação da CNBB

Continua o PT com a tentativa de calar a Igreja?

Durante a eleição presidencial do ano passado, o Partido dos Trabalhadores tentou silenciar os Bispos católicos que mais abertamente denunciaram os aspectos agressivos à vida dos nascituros, ao matrimonio e à família presentes no programa político e nas práticas de governo da sigla.

Agora, voltamos a sentir o sabor amargo daqueles dias. Hoje, quatro sacerdotes da Arquidiocese de Belo Horizonte foram obrigados a se apresentar nas instalações da Polícia Federal para dar esclarecimentos sobre seu suposto envolvimento na divulgação, durante o período eleitoral do ano passado, do "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", assinado pela Presidência e pela Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB.

Igreja salta da 7ª para 2ª instituição mais confiável por causa do posicionamento claro contra o aborto, diz estudo da FGV

Grafico da Folha de São Paulo, 18.11.2010

Em estudo divulgado hoje pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas a Igreja Católica passou a ser considerada pelos entrevistados a segunda instituição mais confiável no país, sendo que no segundo trimestre deste ano ela  ocupava o 7º escalão.

Nem a CNBB nem os assessores desta substituem os Bispos, diz o Papa

Queridos Irmãos Bispos:

Estou feliz por vos dar as boas-vindas na ocasião da vossa visita ad Limina. Viestes à cidade onde Pedro, por último, cumpriu a sua missão de evangelização e deu testemunho de Cristo até à efusão do seu próprio sangue; viestes ver e saudar o Sucessor de Pedro. Deste modo fortaleceis os fundamentos apostólicos da Igreja no vosso país e expressais visivelmente a vossa comunhão com todos os demais membros do Colégio episcopal e com o próprio Pontífice romano (cf. Pastores gregis, 8). Deste teor são as amáveis palavras que o Senhor Arcebispo de Brasília, Dom João Braz, me dirigiu em vosso nome e que agradeço, enquanto vos asseguro do meu cordial afeto e das minhas orações por vós e por todas as pessoas confiadas aos vossos cuidados pastorais.

De Roma

Está totalmente confirmada a importância que o Vaticano deu ao discurso de uma semana atrás, pronunciado pelo Papa aos bispos do Regional Nordeste V do Brasil, no qual Bento XVI deu apoio aos prelados que opinam publicamente sobre temas sociais e políticos, como, por exemplo, a defesa da vida.

O documento foi criado no seio do Pontíficio Conselho para a Família,  sob a direção do Cardeal Ennio Antonelli, presidente deste organismo. Como poucas vezes ocorre, o documento, originalmente redigido em espanhol, rapidamente foi distribuido pela Secretaria de Estado em italiano, inglês, português e em outras línguas. A ordem foi: "difundi-lo o máximo possível".

Saudação da CNBB aos eleitos

Ao final do segundo turno das eleições, ocorrido neste domingo, 31 de outubro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB saúda todos os eleitos – deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República -, augurando-lhes sucesso na tarefa de representar e defender o povo que os escolheu para esta missão. A CNBB cumprimenta de maneira especial a Sra. Dilma Rousseff, eleita presidente da República, a quem caberá dirigir os destinos da nação brasileira nos próximos quatro anos.Dela e dos demais eleitos se espera fidelidade no cumprimento das promessas apresentadas durante a campanha eleitoral. Passadas as eleições, o compromisso de todos é unir os esforços na construção de um Brasil com paz, justiça social e vida plena para todos. Pesa sobre os ombros de cada um dos eleitos a responsabilidade de corresponder plenamente às expectativas e à confiança, não só de seus eleitores, mas de toda a Nação brasileira.

Quando o Pastor cuida das ovelhas: Comunicado do Bispo de Guarulhos a seus diocesanos

Caros diocesanos:
Tomei conhecimento de um panfletinho intitulado “Católicos de Guarulhos com Dilma 13 Presidente - Razões que nos levam a votar em Dilma”. Segundo informações que tivemos, o panfletinho será distribuído, à revelia, nas saídas das missas deste final de semana, 30 e 31 de outubro, nas Igrejas Católicas de Guarulhos. Trata-se de um manifesto baseado na mentira e no oportunismo de membros do Partido dos Trabalhadores.

O panfletinho diz: “Acompanhamos, com grande surpresa, as declarações do nosso bispo sobre as eleições. Nós o respeitamos como nosso bispo, mas constatamos que suas posições sobre o momento político não tem aval da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, e dos bispos da regional Sul 1 (Estado de São Paulo). Nós leigos católicos de Guarulhos lamentamos não termos sido chamados para o diálogo e debate desta questão. Afinal sabemos que temos muito a colaborar no mundo da sociedade e da política”.

Nota da Presidência da CNBB por ocasião de sua visita anual a Roma

Como acontece todos os anos, a Presidência da CNBB realizou mais uma visita ao Santo Padre e a diversos setores da Cúria Romana, para apresentar o balanço das principais atividades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil no ano que passou, bem como acolher sugestões e orientações, refletir sobre opções e alternativas pastorais e, sobretudo, expressar nossa comunhão afetiva e efetiva com o Sucessor de Pedro e a Sé Apostólica.

Para nossa alegria, a cada encontro, nos sentíamos confortados pela carinhosa acolhida com que éramos recebidos, bem como pelas palavras de incentivo, profundo amor e zelo apostólico expressos pela Santa Sé para com a Igreja no Brasil.

Nossa presença em Roma coincidiu com a Visita ad Limina dos Bispos do Regional Nordeste V da CNBB (Estado do Maranhão), com os quais convivemos de maneira muito fraterna ao longo desses dias. Com alegria e gratidão acolhemos, em primeira mão, o discurso que o Papa Bento XVI dirigiu a esses nossos irmãos Bispos e, através deles, a todo o episcopado brasileiro. Em seu pronunciamento, o Santo Padre confirmou a preocupação constante da Igreja no Brasil em defesa da vida, da família e da liberdade religiosa. O Santo Padre enfatizou o direito e o dever de cada Bispo, em sua Diocese, de orientar seus fiéis em questões de fé e moral, inclusive em matéria política, confirmando o que a CNBB havia recordado em documentos, notas e entrevistas anteriores. O mesmo direito e dever, de acordo com as normas canônicas, estende-se à própria Conferência enquanto organismo a serviço da comunhão episcopal e da pastoral orgânica em nosso país.

Concluímos nossa visita anual, última realizada no atual mandato da Presidência da CNBB, com o coração repleto de alegria pela certeza do dever cumprido. Imploramos a Nossa Senhora Aparecida suas bênçãos para todo o povo brasileiro, neste momento importante de nossa história.

Roma, 29 de outubro de 2010


Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB    

Dom Luis Soares Vieira
Arcebispo de Manaus – AM
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

O Papa ontem e a imprensa hoje

Veja como repercutiu aqui dentro e lá fora o discurso do Santo Padre na imprensa. Estas são só algumas das matérias que foram publicadas hoje. Parabéns aos nossos bispos que ficaram firmes nos orientando. E aos católicos que multiplicaram e continuam dando a conhecer, via internet, panfleto ou bate papo, a Voz dos nossos Pastores.

Papa cobra ação de Bispos do Brasil contra o aborto
Folha de São Paulo
O papa Bento 16 afirmou a religiosos que o visitaram no Vaticano que é dever dos bispos intervir na campanha política para condenar o aborto -cuja descriminalização, segundo ele, é traição a ideais democráticos. Segundo Bento 16, a igreja tem o "dever de emitir juízo moral, mesmo em matérias políticas", e não deve temer a impopularidade.

Papa repele aborto e diz que é dever de bispos orientar fiéis em matéria política
O Estado de São Paulo
O papa Bento XVI recomendou, ontem, aos bispos brasileiros, ao condenar a descriminalização do aborto e da eutanásia, que lembrem aos cidadãos "o direito, que é também um dever, de usar livremente o voto para a promoção do bem comum". Os bispos, ressaltou, "têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas", sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem.

Pressão de Bispos da certo e Papa interfere na eleição
O Globo
Às vésperas da eleição presidencial, o Papa Bento XVI criticou as propostas de descriminalização do aborto – tema recorrente na campanha – e, em discurso para bispos brasileiros, disse que o episcopado do país tem o dever de emitir juízo moral sobre temas políticos

Papa pede que Bispos orientem o voto dos católicos no Brasil
O Estado de Minas
Num encontro com 14 bispos do Maranhão no Vaticano, o papa Bento XVI disse que os sacerdotes têm o dever de emitir juízos morais sobre a política quando estiverem se dirigindo aos fiéis. Sem se referir diretamente às eleições brasileiras, o pontífice conclamou os religiosos a pregar contra o aborto. Ao comentar as declarações de Bento XVI, José Serra afirmou que é bom que o mundo ouça essa defesa da vida. Para Dilma Rousseff, a posição do papa deve ser respeitada.

Manifestação do Papa sobre aborto pauta aos presidenciáveis
Zero Hora
Na semana em que o Brasil respira eleição, um discurso do papa Bento XVI nesta quinta-feira acerca do aborto retomou uma pauta dominante do início do segundo turno. Dirigindo-se a 15 bispos brasileiros no Vaticano, o pontífice afirmou que os religiosos têm o dever de emitir juízos morais, mesmo em questões políticas. Apesar de não se referir diretamente ao segundo turno da eleição presidencial, a recomendação papal foi o suficiente para repercutir entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Bispos devem se manifestar contra o aborto inclusive na política, diz Papa
Correio Braziliense
Os padres têm o dever de emitir um julgamento moral, inclusive na política, quando assim exigem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação da alma, declarou nesta quinta-feira (28/10) o Papa Bento XVI aos bispos brasileiros, três dias antes do segundo turno da eleição presidencial no país

A corrosão lenta e gradual da democracia, os cúmplices barulhentos e os silenciosos cúmplices
Revista Veja. Blog de Reinaldo Azecedo
Foi a mensagem do papa Bento 16 transmitida ontem a bispos brasileiros. Quando é que a democracia começa a correr riscos? Quando agressões à ordem constitucional e à liberdade de expressão são praticadas sem a devida reação daqueles que têm a obrigação política e moral de defender os pilares da democracia e do estado de direito.

Lá fora...

Papa entra en la campaña electoral de Brasil
El País, Espanha.
A tres días de las presidenciales brasileñas para elegir al sucesor del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, en una campaña fuertemente dominada por las polémicas de orden religioso, el Papa Benedicto XVI ha echado hoy fuego en la hoguera con un discurso en el Vaticano en el que exige a los obispos que orienten a los fieles "con un juicio moral en los temas políticos". Este mensaje podría influir en el voto del domingo.

Papa irrumpe en la campaña electoral de Brasil
La Nación, Argentina
El Papa irrumpe en la campaña electoral de Brasil.  Cuando faltan sólo tres días para el ballottage en Brasil, un llamado del Papa a los obispos a que se expresen en contra del aborto amenazó ayer con reinstaurar en la campaña el polémico tema que tanto dañó en la primera vuelta la candidatura de la oficialista Dilma Rousseff, favorita a suceder a Luiz Inacio Lula da Silva.

Declaración del Papa reabre polémica sobre aborto en Brasil
El Informador, México
Una declaración del Papa diciéndoles a los  obispos brasileños que tienen el deber de expresarse contra el aborto devolvió  el polémico tema religioso a la campaña presidencial de Brasil, a tres días de  la elección que definirá al sucesor de Luiz Inacio Lula da Silva.

Os bispos têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas, afirma o Papa
Aciprensa e Acidigital
Em seu discurso aos prelados do Regional Nordeste V da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), o Papa Bento XVI precisou que quando “os direitos fundamentais da pessoa”, tal como o direito à vida ante o aborto, “ou a salvação das almas o exigirem”, os bispos “têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".
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Os Bispos tem dever de emitir juízo moral em política sem temer oposição ou impopularidade, diz o Papa ao Brasil

Oferecemos o discurso do Papa Bento XVI oferecido hoje a os Bispos do Regional Nordeste 5 que estão em visita ad limina em Roma, nele o Santo Padre diz aos Prelados "o vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".

O papa encoraja aos Bispos brasileiros a defender a vida e a não "temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo". Eis aqui o texto completo, os sublinhados são nossos.

Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua trascencendencia, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. 

A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

S. S. Bento XVI,
Roma, 28 de octubre de 2010

Unidade exige dos Bispos falar com clareza contra a Cultura da Morte

Ao discursar no dia 9 de outubro passado no World Prayer Congress for Life, realizado no Instituto Patristico "Augustinianum" de Roma, o Arcebispo Raymond Leo Burke afirmou que a verdadeira unidade da Igreja exige dos Pastores um ensinamento claro no que diz respeito ao aborto e à união civil homossexual. Também advertiu que os políticos católicos que apóiam o aborto devem arrepender-se publicamente. Recebeu aplausos.

Dirigindo-se a líderes pró-vida de 45 nações, o Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica também observou que os católicos dissidentes que reconhecem o escândalo causado em público devem reparar o grave mal feito à Igreja, porém, sem serem ridicularizados.

Em sua exposição "A ortodoxia católica, um remédio contra à Cultura da Morte", o Arcebispo, que será criado cardeal no próximo Consistório, na véspera da festividade de Cristo Rei, sublinhou que “tanto os Bispos quanto os fiéis” devem ser obedientes ao Magistério, que ele descreveu como o ensinamento de Cristo transmitido para o povo através do sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele.

Divergências na Igreja

Sou um simples bispo do interior da Bahia, antenado nas coisas que acontecem no mundo e na Igreja. Aos olhos de muitos, a Igreja está dividida, para tristeza de uns e alegria de outros.

Toda eleição provoca divisões na Igreja. Não devia? Seria melhor que houvesse um partido só para os católicos, dirigida pela CNBB? Ainda bem que os católicos, tanto leigos como padres e bispos, podem ser de partidos diversos. Mais importante seria que estivessem unidos em questões de teologia e disciplina na organização interna.

Arestas perigosas na eleição brasileira

A ocorrência do segundo turno nas eleições no Brasil está servindo para demonstrar que as mais importantes definições com relação ao “Direitos Humanos” possuem um peso muito importante na tomada de decisões dos eleitores na hora de votar.

Como se sabe, no primeiro turno, realizado no domingo, 3 de outubro, concorreram a candidata do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff; o ex-governador de São Paulo, José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Marina Silva, ex-militante do PT e ex-ministra de Lula, do Partido Verde (PV). Os resultados finais foram de 46% dos votos para Rousseff, 32% para Serra, e inesperados 20% para Silva. Pelo fato de nenhum dos candidatos terem atingido os 50% mais um dos votos válidos, será realizado o segundo turno no próximo domingo, dia 31 de outubro. Rousseff e Serra disputam intensamente os votos do Partido Verde.

Presidente da CNBB defende direto da Igreja de manifestar suas convicções

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, defendeu nesta quinta-feira que deve ser respeitado o direito de a Igreja manifestar suas convicções. A declaração faz referência à polêmica em relação ao aborto --o religioso defendeu a importância de o assunto entrar na pauta das eleições.

"Numa sociedade democrática, o que não se pode fazer é querer silenciar a Igreja como se ela não pudesse manifestar a sua posição. Qualquer grupo minoritário manifesta a sua posição e repercute isso na sociedade. A Igreja, com o peso e o volume que tem, quando fala é acusada de se intrometer em um âmbito [fora] de sua competência? Esse argumento é falso", criticou o religioso durante entrevista, após apresentar o material da nova campanha da fraternidade da CNBB.

Nota dos Bispos do Regional Leste 1

Os Bispos do Regional Leste 1 da CNBB, diante da realização do 2º turno das eleições para a Presidência da Republica, em sintonia com a “Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - em relação ao Momento Eleitoral”, confirmam sua posição expressa em junho passado no início do processo eleitoral.

Por sua universalidade a Igreja católica não tem partido ou candidato próprios, mas incentiva, agora mais do que nunca, a dar o voto a quem respeita os princípios éticos e os critérios da Moral Católica, indicados na Doutrina Social da Igreja.

Em particular, deve ser votado quem defendeu e defende o valor da vida desde a sua concepção até o seu término natural com a morte e, ao mesmo tempo, a família com a sua própria constituição natural.

Pronunciamento de Dom Benedito Beni dos Santos



Sou Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo de Lorena. Estou gravando esta mensagem no dia 18 de outubro do presente ano.

A Igreja do Brasil, há décadas, vem lutando em prol da defesa da família e do respeito a seus direitos. A mobilização contra a descriminalização e a legalização do aborto faz parte dessa luta. A questão do aborto tornou-se tema importante na campanha política em preparação para as eleições deste ano, 1º e 2º turno.

Além da CNBB Nacional, Assembléia e Presidência, os Bispos do Estado de São Paulo chamaram a atenção sobre a importância do tema do aborto como parte da discussão em preparação para as eleições. Na Assembléia Ordinária do episcopado paulista, realizada entre os dias 29 e 30 de junho, e 1º de julho deste ano, aprovaram uma espécie de Dez Mandamentos para votar bem.

O 3º mandamento diz o seguinte:
Veja se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até a morte natural.

No dia 26 de agosto deste ano, a Comissão Episcopal Representativa do Conselho Episcopal Sul 1 da CNBB – Estado de São Paulo, emitiu uma nota em favor do “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1.

Eis o teor da nota:

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião Ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para votar bem, acolhem e recomendam a ampla difusão do “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1.

Assinam a nota D. Nelson Westrupp, presidente, D. Benedito Beni dos Santos, vice-presidente, D. Airton José dos Santos, secretário-geral.

O "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", cuja difusão ampla é recomendada pelos Bispos, cita fatos concretos, em que o Governo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores propõem a descriminalização e a legalização do aborto durante todos os nove meses da gravidez. Trata-se do substitutivo do PL 1135/91, apresentado pelo atual Governo, em 2005, e ainda tramitando no Congresso.

Recomendamos encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras: dêem seu voto somente a candidatos e candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto.

Portanto, o  “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, elaborado pela Comissão em Defesa da Vida, do Regional Sul 1, é um texto legítimo e não falso.

Contém fatos e não boatos.

É expressão legítima da cidadania democrática.

Os Bispos do Estado de São Paulo reunidos em Assembléia das Igrejas, neste 16 de outubro, fizeram um alerta com respeito a folhetos que estão sendo distribuídos sem a aprovação da legítima autoridade diocesana.

Este não é o caso do  “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, elaborado em vista do 1º e do 2º turno das eleições. Na Diocese de Lorena, esses folhetos continuam sendo distribuídos nas 31 paróquias.

Não se trata de interesse partidário ou ideológico, mas da defesa da vida através de instrumentos legítimos da expressão da cidadania e, portanto, de participação na promoção do bem comum da nação.

As pessoas que estão divulgando o documento fizeram apenas o que nós Bispos lhes pedimos.

As informações do “Apelo” são fatos amplamente documentados.

Contra fatos, não há argumentos.

Os fatos, pois, são a parte mais importante do “Apelo”.

A sua divulgação é legítima.

Esses fatos devem chegar ao conhecimento do povo e devem continuar a ser divulgados o mais amplamente possível.

Recomendo isso, sobretudo, à Diocese de Lorena, que presido.

Dom Benedito Beni dos Santos é Vice-presidente da Comissão Episcopal Representativa do Regional Sul 1 da CNB e Bispo da Diocese de Lorena, em São Paulo.
Lorena, 18 de outubro de 2010.

Nota da Regional Sul 1 da CNBB

Apresentamos aqui uma Declaração sobre as Eleições da Regional Sul 1 da CNBB, divulgada na noite do dia16 de outubro passado. O texto foi publicado no site da entidade ainda quando os Bispos vinculados a esse organismo encontravam-se reunidos em Itaici, São Paulo, na 32ª Assembléia das Igrejas Particulares do Regional, que iniciou na sexta feira 15 e terminou o domingo 17.

Durante a assembléia, onde não se encontravam só Bispos mas também sacerdotes e alguns dos chamados "agentes de pastoral", entre diversos temas abordados, tratou-se especificamente sobre o "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras" e a correspondente nota da Comissão Episcopal Representativa do Regional, com data 26 de agosto do presente ano.

Naquela Nota, a Presidência convidava a dar uma "ampla difusão" ao "Apelo", e fazia isto sem atribuir-se a autoria do texto recomendado, nem afirmando falar em nome de toda a CNBB, e sim, fazendo uso das atribuições que lhe são próprias. Isto, pode se ler no próprio texto.

A nova Declaração da Regional, assinada de novo pelo próprio Presidente da entidade, Sua Excelência Dom Nelson Westrupp, Bispo da Dioceses de Santo André, nos causa, como católicos, diversos sentimentos, e entre eles, perplexidade.

Ela, sem mencionar nominalmente o "Apelo", assina embaixo o mito de que o texto foi instrumentalizado e manipulado. Pelo menos não foi pelos milhares de católicos que acolheram seu convite ao longo de todo o país, para surpresa de muitos dos nossos Pastores.

Ao dizer que desaprova a instrumentalização de suas Declarações e Notas, perguntamos, como ficam, então, os católicos que livre e espontaneamente, de norte a sul, reproduziram e divulgaram o documento?

A nova Declaração do Regional, assim como a última Nota oficial da CNBB, é usada, hoje por políticos, para desautorizar tanto o conteúdo quanto a livre distribuição do referido documento. Isso sim, acreditamos, trata-se instrumentalização e manipulação, de quem sente-se atingido pela divulgação de fatos irrefutáveis e objetivos.

Caríssimos senhores Bispos, como desejam que entendamos, e acolhamos a nova Declaração? Reconhecemos em Vossas Excelências o mistério da sucessão Apostólica, contam com nosso filial afeto e com a devida obediência no âmbito da sua autoridade. Mas, permita-nos confiar-lhes, temos medo de que a presente declaração seja produto das diversas pressões que sabemos que V. Exas. sofrem, das ameaças veladas ou explicitas que alguns de vocês tem recebido, das incomprensões e acusações das que são objeto, vindas, inclusive, de seus próprios irmãos.

Amados Pastores, "não tenham medo" ( Lc 24,5), o rebanho está junto sempre daqueles a quem reconhecem como Bom Pastor, porque as ovelhas sabem quem dá a vida por elas (Jo 10, 11).

Por filial respeito aos Bispos do Regional Sul 1 que concordaram com o texto - pois sabemos que não teve unanimidade- publicamos aqui a nota na íntegra.

Mas por ser este um instrumento, que nós, leigos, assumimos sob nossa própria responsabilidade sem adjudicamos falar em nome da Igreja, sentimos a liberdade de mantermos neste blog o "Apelo", já que fica claro que tal documento não fala em nome da CNBB como um todo, e que os dados ali contidos referem-se a fatos concretos, verdadeiros e objetivos.

Não consideramos que estejamos instrumentalizado a Igreja, nem manipulando a Voz dos Pastores. Portanto, continuaremos divulgando-o e convidamos a aqueles católicos que julguem, em consciência, importante dar a conhecer esses fatos, a continuar, com os pobres meios próprios, divulgando-o  o mais amplamente possível.

Os Editores. 


Declaração sobre as Eleições 
do Conselho Episcopal Regional Sul 1 da CNBB

Os bispos católicos do Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), do Estado de São Paulo, em sintonia com a Declaração sobre o momento político nacional, da 48ª Assembleia Geral da Conferência (Brasília, maio de 2010), esclarecem que não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor.

O Regional Sul 1 da CNBB desaprova a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos.

Reafirma, outrossim, as orientações quanto a critérios e princípios gerais a serem levados em conta no discernimento sobre o momento político, já oferecidos pela 73ª Assembleia Geral do Regional Sul 1 (Aparecida, junho de 2010), expressos na Nota Votar bem.

Recomenda, enfim, a análise serena e objetiva das propostas de partidos e candidatos, para que as eleições consolidem o processo democrático, o pleno respeito aos direitos humanos, a justiça social, a solidariedade e a paz entre todos os brasileiros.

Indaiatuba (Itaici), SP, 16 de outubro de 2010.

Dom Nelson Westrupp
Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1
Bispos do Regional Sul 1

Nota da CNBB sobre o Momento Eleitoral

Apresentamos a Nota em relação ao Momento Eleitoral que ontem publicou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Dado o contexto em que ela vem à luz e o tom que os bispos da Presidência da entidade julgaram conveniente lhe imprimir, é necessário que esta Nota seja lida com muita atenção e objetividade.

Ontem mesmo, instantes depois de ela ter sido publicada, infelizmente já era usada com finalidades eleitoreiras, e, portanto, desconsiderava-se o que a própria Nota lamenta: "que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação".

A Nota, como pode ser lida na íntegra aqui, congratula-se com os brasileiros pelo exercício da cidadania no primeiro turno,  pelos frutos decorrentes da Lei da Ficha Limpa, lamenta que o nome da CNBB tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, reafirma que em nome da entidade falam só três instâncias, sublinha o direito e dever dos bispos de orientar seus fiéis, sinaliza a natureza apartidária da instituição, e pontua os critérios irrenunciáveis a se considerar na hora do voto.

Neste momento em que os candidatos se disfarçam, negam fatos objetivos, mudam posições e discursos de acordo com a conveniência, pautados só pelo interesse particular, e usam de estratégias eleitoreiras para manipular à população, é necessário, mais do que nunca, escutar a voz dos nossos Pastores,  alem do mais porque há uma endêmica falta de formação moral e doutrinal em muitos fiéis leigos.

Congratulamos os Bispos e clérigos que, vendo a grande e urgente necessidade de orientar a consciência cristã dos fiéis, e levados pela legítima preocupação pelo Povo de Deus, exercem de maneira admirável a função profética de Cristo, ensinando-nos e exortando-nos mediante notas, cartas, homilias e declarações.

Congratulamos também todos os fiéis leigos e associações religiosas e civis que tem realizado grande papel na apuração da verdade dos fatos que envolvem os candidatos no que diz respeito ao direito à vida, à família, à liberdade religiosa, de consciência e de expressão, e à dignidade da pessoa humana. Esta é uma contribuição valiosa à nação neste período eleitoral e, acima de tudo, para o voto livre e consciente.

É necessário, ainda, advertir sobre uma associação inadequada da Nota da CNBB a um suposto mal uso do nome da entidade pelo Regional Sul 1. 

A presidência do Regional Sul 1, no texto em que recomenda a ampla difusão do "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", jamais se auto-atribuiu a pretensão de falar em nome da CNBB como um todo; isso pode ser lido na própria Nota da Regional. Eles simplesmente fizeram uso de sua autoridade e autonomia para relatar fatos objetivos e orientar os cristãos a um voto consciente e coerente.

Endossamos o repúdio ao uso indevido do nome da Igreja, das instituições da Igreja e da religião a fim de ludibriarem os fiéis católicos. Não podemos nos deixar enganar por declarações fáceis no período eleitoral. É necessário apurarmos as posições e atuações dos nossos candidatos e seus partidos durante sua trajetória política.

Por fim, alentamos a todos os Bispos no Brasil, sobretudo neste momento, a se expressarem livremente para continuar orientando seus fiéis quanto ao exercício do voto em coerência aos princípios cristãos, como nos recorda, precisamente, a Presidência da CNBB na Nota lançada ontem no site da instituição. Queridos Pastores, precisamos da sua Voz.


Nota sobre o Momento Eleitoral


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que “falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”. Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010


Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Com profunda dor

Com profunda dor escrevemos estas linhas, e declaramos desde já nosso filial afeto a todos os Bispos, sucessores dos apóstolos, que desempenham seu ministério na Terra da Santa Cruz.

A dor vem da atitude que alguns dos nossos Bispos e organismos eclesiais estão assumindo em face aos acontecimentos destes últimos dias.

Como se sabe, assim que a confirmação de que haveria segundo turno foi divulgada, o comando da campanha da candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff,  avaliou que um dos fatores que a impediram de ganhar no primeiro turno foi o tema do aborto, que lhes tirou um significativo número de votos entre católicos e evangélicos.

Dilma e o Senhor Jesus Cristo

Depois de saber que a então ministra Dilma Rousseff, há pouco tempo, havia participado da missa do padre Marcelo Rossi, abrindo inclusive a celebração com a leitura da Bíblia, procurei descobrir onde poderia ficar a "estrada de Damasco" da conversão da ex-guerrilheira comunista; dessa mulher que, aliás, há dois anos, questionada sobre a existência de Deus, respondera: "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?".

Mas voltemos a "Damasco". Eu estava ainda procurando, sem muita esperança, a tal estrada, quando, de repente, no último dia 19 de agosto, fui "transportado em espírito" para Brasília e eis que apareceu na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a própria Dilma, com uma voz fulgurante como o sol do meio-dia: "Você me desculpe, mas eu não sou de outra religião para ser convertida. Eu sou de origem cristã e católica, fui batizada", respondeu a agora candidata petista ao jornalista que ousara perguntar se ela havia se convertido. E eis que apareceram nas mãos de Dilma dois documentos que ela brandia como armas vitoriosas: a carta-compromisso intitulada Carta Aberta ao Povo de Deus e a cartilha Treze motivos para o cristão votar em Dilma Rousseff.