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Íntegra da homilia do Papa na Vigilia pela Vida do Nascituro

Queridos irmãos e irmãs,

Com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico, iniciando pela sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória da vinda de Deus entre nós. Todo o início traz em si uma graça particular, porque é abençoado pelo Senhor. Neste Advento nos será dada, mais uma vez, a oportunidade de fazer a experiência da proximidade d'Aquele que criou o mundo, que orienta a história e que tomou conta de nós, alcançando o cume de sua condescendência ao fazer-se homem. Exatamente o mistério grande e fascinante de Deus conosco, mais ainda, de Deus que se fez um de nós, é que celebraremos nas próximas semanas, caminhando em direção ao Santo Natal. Durante o tempo do Advento, sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, à semelhança de Maria Santíssima, expressa a sua maternidade fazendo-nos experimentar a alegre expectativa da vinda do Senhor, que abraça a todos no seu amor que salva e consola.

Políticos, economistas, médicos, cientistas, jornalistas, defendam a vida nascente!

Na Vigília de oração pela Vida o Papa Bento XVI exortou aos protagonistas da politica, da economia, da medicina, da ciência e da comunicação social a fazerem tudo o que é possível para promover uma cultura sempre respeitosa da vida humana, para procurar condições favoráveis e redes de apoio ao seu acolhimento e desenvolvimento.

Por iniciativa de Bento XVI, a Igreja Católica celebrou neste sábado , em todo o mundo, uma vigília de oração pela “vida nascente”. O próprio Papa assinalou a data, na Basílica de São Pedro, com a celebração das I vésperas do início do Advento, tempo litúrgico que antecede o Natal.

Instrumentalização?

Dia 28 de outubro, às vésperas do 2º. turno eleitoral, o Papa Bento XVI discursou aos bispos brasileiros responsabilizando-os pelo direito e dever de defender a vida, a família e os direitos humanos legítimos, isentos de interpretações ideologizadas. Afirma o Papa que “...quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (...) isto também significa que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum” (o Papa cita Gaudium et Spes, nn. 75 e 76).

Volta o debate sobre a relação entre fé e política

No contexto das eleições norte-americanas, voltou a ter força o debate sobre as relações Igreja-Estado e as crenças religiosas dos candidatos.

Os especialistas especularam sobre o modo como a afiliação religiosa afetaria as eleições, especialmente diante de assuntos tão controversos como a reforma da saúde e as mudanças nas leis de imigração.

No início de outubro, os sete bispos católicos do Estado de Nova York publicaram uma declaração para ajudar as pessoas a avaliarem em que candidatos votar. Os católicos - afirmavam - devem julgar os temas políticos através da lente da fé e não se guiar apenas pelo próprio interesse ou lealdade a um partido.

O Papa e os direitos humanos no Brasil

Fiel à sua missão, a Igreja instrui e anima seus pastores e impulsiona seus filhos na vivência e na proclamação corajosa da Palavra de Deus. Assim fez Jesus com seus discípulos quando os enviou a anunciar o evangelho a todas as criaturas, prevenindo-os que não se desencorajassem nem mesmo quando se encontrassem ameaçados por lobos ou não fossem bem recebidos numa  cidade. O compromisso com a verdade está acima de todas as situações confortáveis, mesmo porque a Verdade para a Igreja não é um texto ou um enunciado, mas é uma pessoa, ou seja, ele mesmo, o Cristo. Seu compromisso é com o Verbo Encarnado e por ele, ela está disposta a tudo. Isto justifica até o martírio, se necessário.

Na semana que passou, o Santo Padre Bento XVI fez aos bispos do Regional Nordeste 5 (Maranhão), um discurso profético de grande significação na defesa dos legítimos direitos da pessoa humana. O Sucessor de Pedro não podia ser mais claro. Alertou sobre os perigos de regimes políticos que pretendem ser considerados ‘democracia’, mas que ‘clara ou veladamente’ defendem leis abortistas ou propugnem outras medidas contrárias à vida. Literalmente diz o Papa: seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74).

Judite põe-se a caminho

No domingo, 31 de outubro de 2010, depois de votar no candidato oponente do PT, recolhi à minha pequena propriedade, nas montanhas de São Bento do Sapucaí, e passei a tarde cuidando das flores do nosso jardim, com as crianças. Plantamos um pessegueiro e algumas flores multicores entre o gramado. Em seguida, subi para meu escritório para ler os Salmos, pois nestas horas só mesmo a palavra do Senhor para nos confortar, consolar e dar novas diretrizes.

Eis que deparei-me, ao abrir o Antigo Testamento, com o livro de Judite, que eu não conhecia ainda a história, e fiquei impactado, da primeira à última linha da narrativa, da atualidade deste admirável relato bíblico, da força da mulher na defesa do povo de Deus, quando estava acuado por forças totalitárias.

Depois das eleições

Passadas as eleições a consciência cidadã é desafiada a considerar que está terminada a etapa da campanha eleitoral, anunciados os vitoriosos, e iniciada a fase que marca o quadriênio 2011/14. Esta etapa é tão, ou mais importante, quanto a que culminou com a ida às urnas. Os eleitores têm o direito e o dever de acompanhar o desempenho dos seus representantes no Executivo e no Legislativo.

Este acompanhamento é uma imprescindível participação cidadã. Os eleitos estão, nem é necessário dizer, a serviço da sociedade civil. Configurada no seu tecido pelos cidadãos eleitores, a sociedade tem um valor considerável, de modo que a comunidade política, constituída pelo voto, está a serviço dela. A sociedade civil, enquanto universal, é a guardiã e destinatária do bem-comum com a obrigação e o dever de exigir respeito na medida do direito de cada cidadão.

Existe esperança!


A eleição terminou, mas a  luta não. A senhora Dilma Rousseff é a nova Presidente do Brasil. A primeira ex-guerrilheira no Executivo do país. Militante de um partido com uma agenda programática agressiva ao direito à vida e ao reconhecimento da família como comunidade fundada na união indissolúvel de um homem e uma mulher. Membro do núcleo duro do Partido que opera o projeto de um "socialismo democrático" que transcende a Lula, e que leva em si o gene autoritário. Segundo José Dirceu, "a eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa".

Nosso espelho hoje é a Espanha do PSOE e de Rodríguez Zapatero, onde o "socialismo democrático" liberou o aborto durante toda a gestação, reconheceu a união civil entre pessoas do mesmo sexo equiparada a matrimônio, e portanto, com direito à adoção; possibilitou o divorcio unilateral e imediato, restringiu a liberdade de educação dos pais e dos grupos religiosos, empreendeu uma intensa deconstrução das raízes culturais da nação, limitou o direito à livre associação, e persegue o direito à objeção de consciência, entre outras coisas. Hoje sabemos o que sentiram os católicos espanhóis em 9 de março de 2008, quando Zapatero foi reeleito.

Pois bem, é tempo de orar, de orar por todas as autoridades eleitas, todas elas. Orar pela senhora Dilma Rousseff, segundo nos ensina uma perene tradição eclesial "orem por todos os que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1 Tm 2: 1-4) porque devemos "pagar a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra" (Rm 13.7). 

Porém, a Igreja nos ensina que "não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas" (Rm 13.1). A fonte de todo poder é Deus,  e o poder se comunica através das causas segundas, pela forma em que decidimos organizar a sociedade. Os que exercem o poder fazem-no de maneira vicária, são administradores de uma autoridade que não vem deles, que não é absoluta e que está sempre ao serviço do Bem Comum e sujeita à ordem moral.

A exemplo de Santo Tomás Moro, ela terá de nós respeito e obediência em tudo aquilo que mande e esteja ordenado ao bem comum e não confronte a lei natural e a lei de Deus, mas quando fira estes princípios terá certamente nossa firme e contundente oposição. Somos obrigados, não só a não obedecer, mas também a nos opor ativamente às leis iníquas.

É tempo também de combater. Combater sem descanso, sem medo, generosamente, sem respeitos humanos. Combater a imagem ideologizada do homem e da sociedade que pretendem nos impor, combater toda iniciativa de agressão à pessoa humana, à sua liberdade, aos seus direitos fundamentais, à reta constituição da família e da sociedade; combater o autoritarismo do chamado socialismo democrático, combater seu laicismo militante e pragmático, combater, sem nunca esquecer, que dito combate tem uma dimensão espiritual que lhe dá seu sentido profundo, trata-se de lutar para que Cristo, nosso Rei, reine na Terra de Santa Cruz.

Combater sabendo que Ele não reina com um sistema político. Seu reino não esta atrelado aos governos do mundo, mas a ordem temporal esta chamada a desenvolver-se sob seu Império. Desta luta surgirá "uma nova geração de católicos coerentes que atuem sem complexos de inferioridade na vida política", como pede o Papa. O combate deve ser travado com plena consciência da responsabilidade histórica que temos com a próxima geração. Eles e Deus serão quem nos julgarão.

É tempo de esperança, porque como o Papa recentemente nos lembrou, Cristo é o Senhor do mundo e exerce soberanamente seu poder. "As ideologias que dominam, que se impõem com força, são divindades. E na dor dos santos, na dor dos fiéis, da Mãe Igreja, da qual nós somos parte, devem cair essas divindades, deve realizar-se o que diz a Carta aos Colossenses e aos Efésios: as dominações, os poderes caem e tornam-se súditos do único Senhor Jesus Cristo", nos ensina Pedro.

Caros amigos, repetimos: é tempo de esperança. Como disse Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o leão de Guarulhos, o Evangelho da Vida já ganhou muito. Só lembrem-se da alegria de ver a tantos e tantos acordar do sono morno e se colocar de pé na trincheira, dispostos à luta. Lembre-se do que você experimentou ao ouvir Bispos que, com grande coragem e sem medo, por amor às suas ovelhas, alçaram sua voz, e dita voz  foi escutada. Lembre-se do que sentiu ao escutar o próprio Pedro confirmar seus irmãos e nos encorajar a assumir nossa responsabilidade temporal. Há quanto tempo isto não acontecia no Brasil! 

É tempo de esperança e de organização, por isso, como presente para todos vocês, deixamos-lhes o atualíssimo texto a seguir do Beato Anacleto Gonzáles Flores, escrito em 1918, na época em que um poder autoritário preparava no México uma encarniçada luta contra as liberdades, especialmente a religiosa. Este leigo, casado, com filhos, advogado, jornalista, apóstolo da juventude e líder de diversos grupos sociais, que morreu mártir, nos deixa como herança, hoje, uma palavra-chave: organização.
Agora é joelho no chão, espada na mão, e fogo no coração!
 Boa leitura e que o Cristo Rei do Corcovado seja símbolo do Seu dominio sobre nós.
Viva Cristo Rei!

Os Editores | 31 de outubro de 2010.
Na véspera da festividade de todos os santos.

Existe esperança!


“Tudo está perdido”. Está é a frase que escapa dos lábios de muitos que não se deram o trabalho de estudar nossa situação e que ignoram ou aparentam ignorar que, tanto os indivíduos como os povos, são suscetíveis de regeneração. Sim; apesar do pessimismo e do desânimo de quase todos, da covardia, da preguiça e da desorientação, nós não desistiremos jamais de escrever palavras de esperança e de confiança de que o futuro pode ser nosso, que as classes sociais ainda podem render uma homenagem de adoração a Cristo e que a pátria pode ser salva, ainda quando caminhe a largos passos para a pendente catástrofe e para a ruína.

Mas, “tudo conspira contra nós”, dizem alguns com tom de lamento; sim, é certo, tudo se conjuntura contra nós, mas o que devemos muito lamentar é que as loucuras, as paixões e a degradação dos homens se rebelam contra o único que é santo e digno de veneração que existe sobre a terra: a Igreja. O que devemos lamentar é que a grande maioria dos católicos esperam que o ressurgimento da Pátria seja obra só de Deus, o resultado prodigioso de um milagre; e não uma obra na qual haja, por uma parte, o influxo de nosso Criador, e por outra, um esforço humano com tudo o que este tem de forte e eficaz. Este tem sido o papel que mais temos feito, ou seja, o de meros espectadores sentados, que com todos os tons cantam elegias sobre as ruínas amontoadas pelo cataclisma. E não é, e nem deve ser este, o nosso papel: ainda há no elemento católico energias que podem ser postas em ação de tal maneira que se lhes lancem a lutar contra os sustentadores do mal e se empenhem pelo caminho da reconstrução; assim, se alcançará uma vitória completa e conseguiremos que o bem triunfe sobre o erro e mal.

Isto exige, desde agora, que todo os católicos se convençam de que é preciso sair da inércia em que até agora têm vivido, que é necessário deixar a preguiça, que é urgentíssimo entrar em ação, indispensável que nosso influxo se faça sentir forte e incontrastável sobre a sociedade para orientá-la e regenerá-la. Agora é urgente a necessidade de sair de todos os templos para ir em busca das almas, colocarmo-nos em contato com todas as classes sociais, iluminá-las com a doutrina da Igreja, para transformá-la com nosso exemplo, atraí-las com a caridade, e, sobretudo, organizá-la de uma forma que encontre remédio eficaz para suas misérias econômicas, intelectuais e morais por meio da associação que, como o tem demonstrado a experiência, é o grande poder que pode nos dar o triunfo.

A ação é o único que pode nos salvar; mas não uma ação que se limite a adorar a Deus, a freqüentar os sacramentos e a consagrar-se ao templo de um modo exclusivo e único; não, partindo da adoração e da vida sacramental, trata-se de desenvolver um movimento de caráter profunda e genuinamente cristão, que incida na vida social e política, e que tenha por sinais predominantes um amor forte e sincero a nossos irmãos inspirados no amor intenso e incalculável que devemos professar ao nosso Criador.

Consagremo-nos para a levar a luz ao horizonte obscurecido pela ignorância e pelo erro, conquistemos as classes sociais com um apostolado incansável e procuremos, o quanto antes, sacudir a inércia, associando-nos, organizando-nos, colocando em prática os ensinamentos da Igreja para contribuir, deste modo, para a salvação da Pátria.

Beato e mártir Anacleto González Flores, artigo do jornal La Palabra.
Guadalajara, México, 21 de julho de 1918.

Na imagem: Praia da Coroa Vermelha, Santa Cruz de Cabrália, Bahia, Brasil. Local da Celebração da Primeira Santa Missa em solo brasileiro, dia 26 de abril de 1500.

Critérios para Votar

A eleição presidencial deste 31 de outubro, representa para nós católicos, uma difícil escolha moral. Os candidatos que concorrem têm algumas convicções que contrariam a lei natural e a lei de Deus. Em circunstancias ordinárias  não poderíamos votar neles. Porem a situação que vivemos hoje não está no campo da normalidade. Aliás, a situação é semelhante no mundo inteiro. O Ocidente passa por um processo de auto-degradação; a democracia liberal virou um fetiche praticamente inquestionável sob qualquer aspecto; países outrora católicos abandonaram os princípios cristãos e até os princípios da ordem natural, o católico brasileiro hoje encontra-se diante do seguinte dilema, votar aplicando a doutrina do mal menor, anular o voto ou se omitir.

O recente discurso do Papa aos Bispos do Regional Nordeste 5, ilumina extraordinariamente este momento: 
"O dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural [...] Deus deve encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política".
"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases [...] Em determinadas ocasiões, os Pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum".
Caros amigos, escutando ao Santo Padre, lhes convidamos a não perder a esperança, a não se omitir nem anular o voto, pois isto só ajuda ao Partido que é programaticamente em favor da Cultura da Morte, como o Rev. Pe. Loidi já explicou. Lhes invitamos a votar fazendo uso do principio do mal menor e, ao mesmo tempo, a se comprometer a trabalhar para limitar os efeitos negativos dessa escolha, e sobretudo, a lutar para que a ordem natural seja respeitada e que Cristo possa reinar na Terra da Santa Cruz.


CINCO PASSOS PARA VOTAR

1. Decidir realizar seu sufrágio de maneira responsável e consciente.

2. Valorar quais partidos e candidatos respaldam os princípios irrenunciáveis que a Igreja nos pede defender. Especialmente o direito à vida e à família constituída sobre o matrimonio de um homem e uma mulher. Se nenhum partido ou candidato o faz plenamente, então, discernir, qual representa uma ameaça menor á vivência pública de ditos princípios.

3. Verificar que o candidato que elegi não tenha histórico de corrupção. Se todos os candidatos tem fatos de corrupção no seu histórico, valorar a gravidade dos mesmos e que tão institucionais ou sistemáticos foram.

4. Votar, no dia da eleição, garantindo que seu voto seja livre, orientado ao Bem Comum e não pautado por motivos egoístas ou de conveniência particular.

5. Assumir o compromisso de que sua responsabilidade cívica não se limite ao voto.

DEZ PRINCÍPIOS IRRENUNCIÁVEIS NA HORA DE CONSIDERAR EM QUEM VOTAR

1. Respeito à vida humana em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural.

2. Defesa da família fundada no matrimônio, união de um homem e uma mulher, caraterizada por ser monogâmica, indissolúvel, complementaria e aberta à vida .

3. Respeito à liberdade religiosa e de consciência, entendidas como o direito de todo homem de render culto privado e público a Deus segundo sua reta razão.

4. Defesa da liberdade de educação, pela qual os pais podem oferecer a seus filhos formação dentro do lar e aceder a instituições que colaborem harmoniosamente com eles na oferta de instrução formal.

5. Considerar o poder político como um serviço que leva a procurar e realizar o bem comum acima do interesse e benefício particular.

6. Promoção das pessoas mais pobres da comunidade, garantindo-lhes ao menos oportunidades de desenvolvimento e  condições dignas de vida.

7. Defesa do direito de todo cidadão a ter um trabalho digno, com remuneração familiar, e com justa participação nas utilidades da empresa da que forma parte.

8. Respeito à liberdade de iniciativa econômica sem regulações excessivas por parte do Estado, garantindo o acesso à propriedade, com sua conseqüente co-responsabilidade com os deveres de justiça social.

9. Respeito à liberdade de expressão e de de imprensa, dentro do marco do respeito à Verdade, à fama dos particulares e ao exercício ético da geração e divulgação de informação e opinião.

10. Promoção de uma adequada relação entre a Igreja e o Estado, caraterizada pelo respeito e a mútua colaboração, reconhecendo a justa atribuição que a Igreja tem de formar a consciência dos seus fieis.


Os Bispos tem dever de emitir juízo moral em política sem temer oposição ou impopularidade, diz o Papa ao Brasil

Oferecemos o discurso do Papa Bento XVI oferecido hoje a os Bispos do Regional Nordeste 5 que estão em visita ad limina em Roma, nele o Santo Padre diz aos Prelados "o vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".

O papa encoraja aos Bispos brasileiros a defender a vida e a não "temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo". Eis aqui o texto completo, os sublinhados são nossos.

Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua trascencendencia, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. 

A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

S. S. Bento XVI,
Roma, 28 de octubre de 2010

Que surja uma nova geração de católicos que atuem sem complexos de inferioridade na vida política

Apresentamos alguns trechos da Mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da 46ª Semana Social Italiana realizada em Reggio Calabria, na Região de Calábria, no sul da Italia. Muito atual é o chamado que o Santo Padre faz a que surja uma nova geração de católicos, pessoas interiormente renovadas, que se comprometam na atividade política sem complexos de inferioridade. Estas palavras também se dirigem a nós. Eis o convite.

"Afrontar os problemas atuais, tutelando ao mesmo tempo a vida humana desde sua concepção até seu fim natural, defendendo a dignidade da pessoa, salvaguardando o meio ambiente e promovendo a paz, não é tarefa fácil, mas tampouco impossível, se permanece firme a confiança nas capacidades do homem, se se engrandece o conceito de razão e de seu uso, e se cada um assume suas próprias responsabilidades. Seria, de fato, ilusório delegar a busca de soluções só às autoridades públicas: os sujeitos políticos, o mundo da empresa, as organizações sindicais, os atores sociais e todos os cidadãos enquanto indivíduos e de forma associada, estão chamados a amadurecer uma forte capacidade de análise, de amplitude de objetivos e de participação.

Quando um católico vai votar, deve lembrar que há princípios não-negociáveis

Por sugestão de um amável leitor, apresentamos o resumo redigido pela jornalista Nieves San Martín de um texto enviado por Stefano Fontana (na foto), diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân, à Agencia de Noticias Zenit. A síntese da jornalista foi publicada no dia 10 de abril de 2008. Caso você conheça o texto original de Fontana, muito lhe agradeceríamos se pudesse nos enviar para publicá-lo na íntegra.

Quando um católico vai votar, deve levar em consideração que há «princípios não-negociáveis», afirma o diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina Social da Igreja, Stefano Fontana, em um comunicado enviado à Zenit.

Entre estes princípios não-negociáveis, encontra-se a vida, a família, a liberdade de educação e liberdade religiosa.

Igreja desunida?

Em tempos de eleições, muitos católicos querem ensinar aos padres e aos bispos o Pai Nosso da política. Muitos candidatos e partidos dizem que a Igreja deve ter a coragem de sair de cima do muro e tomar posição. Outros querem que a Igreja fique fora do debate político-eleitoreiro.   Ao dizer Igreja, se referem à instituição, representada por padres e bispos.

O ensinamento da Igreja faz uma distinção entre a missão do clero e a missão dos leigos. Recomenda aos leigos a participação ativa em eleições democráticas, mas proíbe ao clero a participação direta na luta pelo poder político. Como é que um padre pode cumprir a sua missão de promover a unidade na comunidade, se ele mesmo se envolver nas brigas dos partidos e dos candidatos?

Orientações sobre política e eleições

Caríssimos sacerdotes e fiéis da nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Embora não tenha nenhum partido político nem faça campanha partidária, a Igreja pode e deve orientar os seus fiéis sobre a importância de seu voto consciente.

“A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política… não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça… não poderá firmar-se nem prosperar” (Papa Bento XVI, Carta encíclica Deus caritas est, 28). 

Nota Pastoral de orientação em relação às eleições

Irmãos e irmãs, diocesanos de Frederico Westphalen e homens e mulheres de boa vontade.

Esta Nota Pastoral tem a finalidade de oferecer reflexão e orientação, face às eleições que se aproximam, para os católicos diocesanos de Frederico Westphalen e para todos aqueles que procuram, com boa vontade, nortear sua existência pelo respeito aos valores fundamentais da existência humana.

O período que antecede as eleições é de suma importância, no sentido de que deve servir-nos para a reflexão e a escolha consciente daqueles candidatos e candidatas nos quais depositaremos nossa confiança através do voto.

Carta à Igreja da Arquidiocese de Maringá

Amados irmãos e irmãs.

Tendo presente que nos encontramos às vésperas das eleições, julgamos oportuno dirigir esta mensagem ao nosso povo e às comunidades. Desejamos relembrar sua responsabilidade e alguns critérios para o correto discernimento no exercício do direito de votar.

Inicialmente, recordamos a todo o povo de Deus o reconhecimento enfático com que a Igreja Católica tem declarado o valor e o dever de o cristão participar da política. A política é a forma sublime de exercer a caridade. De modo particular, recomendamos, apoiamos e incentivamos os leigos que assumam nas eleições o compromisso de um voto consciente, bem assim os que, sentindo-se vocacionados, se apresentam como candidatos.

Em que consiste propriamente o amor à Pátria?

Estimado amigo, condição essencial para poder amar algo é conhecê-lo. Mal podemos amar a Pátria se não a conhecemos; e será amada parcialmente se temos uma idéia parcial dela. Como observou Guilherme Furlong [1], para muitas pessoas, crianças e adultos, a Pátria é um território, é um país, é uma cidade natal, é uma paisagem onde nasceram ou onde passaram grande parte da sua vida. Tudo isso é algo da Pátria, mas não é toda a Pátria. Se patriotismo fosse o apego ao solo onde nascemos e crescemos, as plantas superariam o homem em patriotismo.

A pátria compõe-se de nosso solo, nossa paisagem, da lembrança dos nossos grandes homens e de nossas tradições; mas também é algo mais. Esse algo mais é ao mesmo tempo tradição e unidade; ou seja, um duplo vínculo simultâneo: com a tradição histórica das gerações que nos precederam e das que virão, e um vínculo com todos os homens do país, nossos contemporâneos.