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O lar: visão cristã

Perguntou-me, dias atrás, uma repórter sobre o grave problema do aborto, deixando transparecer o que geralmente se diz que é a Igreja Católica que não aceita a morte voluntária do nascituro, isto é, a nefanda provocação do aborto. Tentei mostrar-lhe que a gravíssima prática do aborto provocado não é primeiramente uma lei eclesiástica – e portanto mutável – mas uma lei natural de defesa da vida humana, positivada no decálogo, lá no Antigo Testamento: “Não matarás”.

É claro que a Igreja é defensora da vida, sobretudo do nascituro, que não tem como defender-se do agressor. Tanto assim é que o pecado do aborto, por sua gravidade, é punido com excomunhão (canon 1398) e o confessor só pode absolver, se tiver especial licença do bispo para absolver pecados reservados.

Orientações para as eleições 2010

Queridos diocesanos,

1. Primeiramente, é preciso falar da necessidade de se valorizar o voto como expressão fundamental da democracia. A participação no processo eleitoral, de forma consciente e responsável, revela o compromisso com as “realidades temporais”, lugar de revelação da vida doada por Deus.

Além disso, considere-se como importante conquista da sociedade brasileira a lei da Ficha Limpa. Lembre-se, inclusive, de que foi graças à mobilização de muitas comunidades eclesiais que esse projeto passou a ter validade, já para as próximas eleições. Não basta, porém, votar. Não basta mesmo escolher um candidato de ficha limpa, por mais fundamental e importante que ela seja. Nossa missão vai além: levar o candidato de ficha limpa a ser eficaz e a se manter ético durante o exercício do mandato, sempre a serviço do bem comum.

O divórcio relâmpago fragiliza ainda mais a família

A emenda constitucional, que aprovada pelo Congresso, objetiva facilitar a obtenção do divórcio, suprimindo requisito relativo ao lapso temporal -de um ano contado da separação judicial e dois anos da separação de fato- , denominada de a “PEC do divórcio relâmpago”, a meu ver, fragiliza ainda mais a família, alicerce da sociedade, nos termos do artigo 226 “caput” da Constituição Federal.

Na medida em que os mais fúteis motivos puderem ser utilizados para que a dissolução conjugal chegue a termo, sem qualquer entrave burocrático, possivelmente, não possibilitando nem o aconselhamento de magistrados e nem o de terceiros para a tentativa de salvar o casamento, o divórcio realmente será relâmpago.

Partidos e candidatos: Qual é sua posição?

A campanha eleitoral vai ganhando corpo e os eleitores são confrontados com os muitos pretendentes ao seu voto. Por enquanto, os “presidenciáveis” são colocados em maior evidência e quase não nos damos conta de que também estão em jogo os cargos de governador, senador, deputado federal e estadual.

Nas questões gerais, todos os gatos parecem pardos. Os candidatos mostram seus planos para a economia, a saúde, a educação, a segurança, o transporte, o meio ambiente... De todos é esperado que tenham ficha limpa, sejam honestos e transparentes no exercício do poder, promovam o bem comum e não apenas o de alguns setores da sociedade. Cabe ao eleitor ouvir, discernir e escolher os cidadãos probos, capazes de governar e legislar com sabedoria e prudência.