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Vida, Moral e Cultura

A razão da realização da Vigília pela vida nascente nas Igrejas do mundo inteiro – convocada recentemente pelo Papa Bento XVI - está no centro do horizonte da sociedade contemporânea, desafiada diante de uma nova necessidade de sentido para a vida.

A questão do sentido é desafiadora porque não se vale materialmente em si. Sua falta revela-se no esgarçarmento da cultura que sustenta a vida, ameaçada em todas as suas dimensões e direções em todo o planeta Terra.

'Lamento a conversão forçada de Dilma', comenta o Cardeal Dom Eugênio Sales

Apresentamos na integra uma entrevista concedida pelo Cardeal Dom Eugênio Sales, Arcebispo emérito de Río de Janeiro, para Alfredo Junqueira do jornal O Estado de São Paulo, no dia 8 de novembro passado.

O cardeal e arcebispo emérito do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales, que completa 90 anos hoje, lamentou o que chamou de conversão tardia da presidente eleita, Dilma Rousseff, na reta final da campanha eleitoral.

O religioso disse temer a pressão que grupos favoráveis à descriminalização do aborto e aos direitos dos homossexuais farão sobre a presidente. "Espero que o compromisso, que ela assumiu, ela possa cumprir."

Volta o debate sobre a relação entre fé e política

No contexto das eleições norte-americanas, voltou a ter força o debate sobre as relações Igreja-Estado e as crenças religiosas dos candidatos.

Os especialistas especularam sobre o modo como a afiliação religiosa afetaria as eleições, especialmente diante de assuntos tão controversos como a reforma da saúde e as mudanças nas leis de imigração.

No início de outubro, os sete bispos católicos do Estado de Nova York publicaram uma declaração para ajudar as pessoas a avaliarem em que candidatos votar. Os católicos - afirmavam - devem julgar os temas políticos através da lente da fé e não se guiar apenas pelo próprio interesse ou lealdade a um partido.

De Roma

Está totalmente confirmada a importância que o Vaticano deu ao discurso de uma semana atrás, pronunciado pelo Papa aos bispos do Regional Nordeste V do Brasil, no qual Bento XVI deu apoio aos prelados que opinam publicamente sobre temas sociais e políticos, como, por exemplo, a defesa da vida.

O documento foi criado no seio do Pontíficio Conselho para a Família,  sob a direção do Cardeal Ennio Antonelli, presidente deste organismo. Como poucas vezes ocorre, o documento, originalmente redigido em espanhol, rapidamente foi distribuido pela Secretaria de Estado em italiano, inglês, português e em outras línguas. A ordem foi: "difundi-lo o máximo possível".

Critérios para Votar

A eleição presidencial deste 31 de outubro, representa para nós católicos, uma difícil escolha moral. Os candidatos que concorrem têm algumas convicções que contrariam a lei natural e a lei de Deus. Em circunstancias ordinárias  não poderíamos votar neles. Porem a situação que vivemos hoje não está no campo da normalidade. Aliás, a situação é semelhante no mundo inteiro. O Ocidente passa por um processo de auto-degradação; a democracia liberal virou um fetiche praticamente inquestionável sob qualquer aspecto; países outrora católicos abandonaram os princípios cristãos e até os princípios da ordem natural, o católico brasileiro hoje encontra-se diante do seguinte dilema, votar aplicando a doutrina do mal menor, anular o voto ou se omitir.

O recente discurso do Papa aos Bispos do Regional Nordeste 5, ilumina extraordinariamente este momento: 
"O dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural [...] Deus deve encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política".
"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases [...] Em determinadas ocasiões, os Pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum".
Caros amigos, escutando ao Santo Padre, lhes convidamos a não perder a esperança, a não se omitir nem anular o voto, pois isto só ajuda ao Partido que é programaticamente em favor da Cultura da Morte, como o Rev. Pe. Loidi já explicou. Lhes invitamos a votar fazendo uso do principio do mal menor e, ao mesmo tempo, a se comprometer a trabalhar para limitar os efeitos negativos dessa escolha, e sobretudo, a lutar para que a ordem natural seja respeitada e que Cristo possa reinar na Terra da Santa Cruz.


CINCO PASSOS PARA VOTAR

1. Decidir realizar seu sufrágio de maneira responsável e consciente.

2. Valorar quais partidos e candidatos respaldam os princípios irrenunciáveis que a Igreja nos pede defender. Especialmente o direito à vida e à família constituída sobre o matrimonio de um homem e uma mulher. Se nenhum partido ou candidato o faz plenamente, então, discernir, qual representa uma ameaça menor á vivência pública de ditos princípios.

3. Verificar que o candidato que elegi não tenha histórico de corrupção. Se todos os candidatos tem fatos de corrupção no seu histórico, valorar a gravidade dos mesmos e que tão institucionais ou sistemáticos foram.

4. Votar, no dia da eleição, garantindo que seu voto seja livre, orientado ao Bem Comum e não pautado por motivos egoístas ou de conveniência particular.

5. Assumir o compromisso de que sua responsabilidade cívica não se limite ao voto.

DEZ PRINCÍPIOS IRRENUNCIÁVEIS NA HORA DE CONSIDERAR EM QUEM VOTAR

1. Respeito à vida humana em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural.

2. Defesa da família fundada no matrimônio, união de um homem e uma mulher, caraterizada por ser monogâmica, indissolúvel, complementaria e aberta à vida .

3. Respeito à liberdade religiosa e de consciência, entendidas como o direito de todo homem de render culto privado e público a Deus segundo sua reta razão.

4. Defesa da liberdade de educação, pela qual os pais podem oferecer a seus filhos formação dentro do lar e aceder a instituições que colaborem harmoniosamente com eles na oferta de instrução formal.

5. Considerar o poder político como um serviço que leva a procurar e realizar o bem comum acima do interesse e benefício particular.

6. Promoção das pessoas mais pobres da comunidade, garantindo-lhes ao menos oportunidades de desenvolvimento e  condições dignas de vida.

7. Defesa do direito de todo cidadão a ter um trabalho digno, com remuneração familiar, e com justa participação nas utilidades da empresa da que forma parte.

8. Respeito à liberdade de iniciativa econômica sem regulações excessivas por parte do Estado, garantindo o acesso à propriedade, com sua conseqüente co-responsabilidade com os deveres de justiça social.

9. Respeito à liberdade de expressão e de de imprensa, dentro do marco do respeito à Verdade, à fama dos particulares e ao exercício ético da geração e divulgação de informação e opinião.

10. Promoção de uma adequada relação entre a Igreja e o Estado, caraterizada pelo respeito e a mútua colaboração, reconhecendo a justa atribuição que a Igreja tem de formar a consciência dos seus fieis.


Para ilustrar e encorajar nosso voto

Caros leitores, deixamos aqui trechos do pronunciamento do Santo Padre ao Brasil, por meio dos Bispos do Regional Nordeste 5. Dele, Dom Henrique Soares da Costa disse: "As palavras do Santo Padre aos Bispos do Maranhão, palavras ditas nesta semana, são bem endereçadas ao Brasil de agora. Penso que iluminam muito da atuação dos Bispos durante este período eleitoral... Compare as palavras do Papa com a de alguns irmãos no Episcopado e veja quem está com a razão e quem não está, quem pensa como o Papa e quem pensa a partir de outras categorias e prioridades ideológicas, alheias ao Evangelho... Estas palavras, para alguns serão consolo; para outros, uma bela advertência!".

"O dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76). 

Votando corretamente

Assista a este vídeo da Realcatholictv, que sublinha a importância de se considerar, na hora de votar num candidato ao Executivo, a possibilidade de eleger alguém que possa usar o poder de veto em favor da vida. Ainda que o vídeo se refere à realidade estadounidense, é ilustrativo para nossa situação no Brasil. Assista a outros vídeos com legendas em português no blog Vortex.

O voto Católico segundo um Principe da Igreja

O cardeal Dom Eugenio Sales, Arcebispo emérito da Arquidioceses de São Sebastião do Rio de Janeiro, escreveu este artigo na véspera do primeiro turno eleitoral. Por sua atualidade,  reproduzimo-lo hoje.

As eleições neste domingo e sua importância vão além do exercício de um dever cívico. [...] Esse pleito deve ser avaliado segundo os critérios do Evangelho.

No que toca à sua missão, não compete à Igreja, essencialmente, sugerir uma opção partidária determinada. Mas sim conclamar todos os seus leigos, cuja vocação é exatamente a de santificar a realidade temporal, para que cada um assuma suas responsabilidades com empenho e coerência. Tenha-se em mente que o cabal respeito ao julgamento das urnas jamais poderá ser empanado por eventuais falhas na escolha de homens para determinados cargos. Qualquer restrição neste terreno trará prejuízos de monta.

O voto o os 10 mandamentos

Assista a este vídeo da Realcatholictv, que aborda a relação que tem o decálogo com o ato de votar. Ainda que, se refere à realidade estadunidense, marcada pela disputa entre republicanos e democratas, o aspecto doutrinal do qual trata não perde atualidade para o Brasil. Veja amanhã "Votando corretamente". Assista outros vídeos com lendas em português no blog Vortex.


Os Bispos tem dever de emitir juízo moral em política sem temer oposição ou impopularidade, diz o Papa ao Brasil

Oferecemos o discurso do Papa Bento XVI oferecido hoje a os Bispos do Regional Nordeste 5 que estão em visita ad limina em Roma, nele o Santo Padre diz aos Prelados "o vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".

O papa encoraja aos Bispos brasileiros a defender a vida e a não "temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo". Eis aqui o texto completo, os sublinhados são nossos.

Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua trascencendencia, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. 

A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

S. S. Bento XVI,
Roma, 28 de octubre de 2010

Nota dos Bispos do Regional Leste 1

Os Bispos do Regional Leste 1 da CNBB, diante da realização do 2º turno das eleições para a Presidência da Republica, em sintonia com a “Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - em relação ao Momento Eleitoral”, confirmam sua posição expressa em junho passado no início do processo eleitoral.

Por sua universalidade a Igreja católica não tem partido ou candidato próprios, mas incentiva, agora mais do que nunca, a dar o voto a quem respeita os princípios éticos e os critérios da Moral Católica, indicados na Doutrina Social da Igreja.

Em particular, deve ser votado quem defendeu e defende o valor da vida desde a sua concepção até o seu término natural com a morte e, ao mesmo tempo, a família com a sua própria constituição natural.

Pecadores precisam de leis


Na semana passada fiz um artigo sobre divergências na Igreja diante de uma campanha que pretende confiscar as grandes fazendas por uma lei que venha colocar um limite arbitrário ao tamanho das propriedades rurais.  “Uma Igreja dividida?”

Agora surgem divergências maiores diante de pronunciamentos de padres e bispos, e também de leigos e pastores, sobre o PNDH 3 do PT que pretende deixar o aborto sem restrições na lei civil. A polêmica sobre a proposta de descriminalizar o aborto levou para o segundo turno a votação para presidente, e levou candidatos a declarar que são contra o aborto e a favor da proteção da vida pelo Estado.


Dom Aldo di Cillo Pagotto é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese da Paraíba.
João Pessoa, 10 de outubro de 2010.

A gramática das urnas

As urnas, neste primeiro turno das eleições, desenharam uma gramática cuja sintaxe traz o desafio de ser destrinchada e compreendida. Uma complexa tarefa que inclui diferentes intérpretes, desde os analistas políticos, partidos, especialistas de variados campos do saber, entrelaçando a opinião pública, até os marqueteiros com suas incursões nos propósitos de exitosos resultados. Contudo, a interpretação argumentada mais importante é aquela do eleitor que voltará às urnas no segundo turno. Não só. Está posta a exigente tarefa de configurar o mapa atual do Congresso Nacional e também das assembleias legislativas. Não é bom relegar o acompanhamento dos executivos estaduais com suas tarefas e obrigações de intervenção mais rápida e determinante nos problemas de infraestrutura e necessidades básicas da população. A tarefa de acompanhar, promover o diálogo e participar das discussões que definem as políticas públicas, é o lado exigente da condição cidadã de ser eleitor. Nessa direção há que se avançar de modo político mais amadurecido enquanto se compreende que o eleito, no exercício de sua função, está a serviço da sociedade e de suas necessidades, sempre ancorado na justiça social e no direito.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller aos católicos do Brasil



Dom Antônio Carlos Rossi Keller é Bispo da Diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul.
Frederico Westphalen, 01 de outubro de 2010.

Convite do Carmelo Descalço de São José

Nós, monjas carmelitas descalças do Carmelo de São José, de Jundiaí, queremos convidá-lo(a) a unir-se conosco numa corrente de orações por nossa Pátria, nesse momento tão difícil da história de nosso amado Brasil.

Façamos o que estiver ao nosso alcance e votemos em consciência, a fim de que o nosso país não caia nas mãos daqueles(as) que querem promover uma cultura da morte e destruir os valores humanos e cristãos de nosso povo, como a defesa da vida, da família, a liberdade de expressão e a liberdade religiosa.

Pensamos em fazer uma corrente de orações, rezando o Terço todos os dias e pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do Brasil, a fim de que ela - qual nova Ester - interceda junto a Jesus pelo seu povo tão ameaçado.

Você aceita o convite? Se não lhe for possível rezar o Terço inteiro, reze ao menos uma dezena nessa intenção, mas reze!

Unidos na oração.

Ordem do Carmelo Descalço São José.
Jundiaí, 1 de outubro de 2010.

Quando um católico vai votar, deve lembrar que há princípios não-negociáveis

Por sugestão de um amável leitor, apresentamos o resumo redigido pela jornalista Nieves San Martín de um texto enviado por Stefano Fontana (na foto), diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân, à Agencia de Noticias Zenit. A síntese da jornalista foi publicada no dia 10 de abril de 2008. Caso você conheça o texto original de Fontana, muito lhe agradeceríamos se pudesse nos enviar para publicá-lo na íntegra.

Quando um católico vai votar, deve levar em consideração que há «princípios não-negociáveis», afirma o diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina Social da Igreja, Stefano Fontana, em um comunicado enviado à Zenit.

Entre estes princípios não-negociáveis, encontra-se a vida, a família, a liberdade de educação e liberdade religiosa.

Orientações sobre política e eleições

Caríssimos sacerdotes e fiéis da nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Embora não tenha nenhum partido político nem faça campanha partidária, a Igreja pode e deve orientar os seus fiéis sobre a importância de seu voto consciente.

“A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política… não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça… não poderá firmar-se nem prosperar” (Papa Bento XVI, Carta encíclica Deus caritas est, 28). 

Os católicos e as eleições de 2010

A alguns dias das eleições, todos os católicos brasileiros deveriam estar fazendo a si mesmos a seguinte pergunta: "Como posso contribuir com o meu voto para o Bem Comum da nossa nação?"

Dada a importância destas eleições, um voto em branco ou nulo pode significar, para muitos, um pecado de omissão grave. Há a necessidade de eleger governantes que respeitem os nossos valores, direitos e interesses que estão profundamente ameaçados por políticos mais interessados em implantar ideologias liberais e marxistas nocivas à dignidade dos homens. 

Eleições: Não matarás


São quatro os direitos fundamentais da pessoa humana: direito à vida; direito à propriedade; direito à liberdade e direito à honra. “Quando se denota a ausência de um deles, a pessoa desaparece: sem vida não existe, sem propriedade não subsiste, sem liberdade, principalmente a religiosa, não se desenvolve, e sem honra não se relaciona.” (Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre). Entre os quatro direitos, o primeiro é o mais importante porque é a base de todos os outros. 




Os Dez Mandamentos da Lei de Deus expressam em sua totalidade esses direitos fundamentais e seus desdobramentos. O direito à vida ocupa um lugar especial no quinto mandamento: Não matar; que nos obriga à defesa da vida humana desde a sua concepção no ventre materno até sua natural consumação na morte. Aborto e eutanásia, assim como tudo que fere a vida humana, são pois, condenados por Deus.