Assim que a confirmção de que haverá segundo turno foi divulgada, o Partido dos Trabalhadores e sua candidata, a senhora Dilma Rousseff, ofereceram à imprensa um posicionamento novo sobre a questão do aborto. Diante do resultado da eleição, muito aquém do que esperavam, a equipe de campanha petista considera que este tema tirou-lhes um significativo número de votos entre católicos e evangélicos.
A manchete da
Folha de São Paulo de hoje diz: "PT já discute retirar o aborto do programa de governo". Na capa, a
matéria recolhe as declarações
afinadas de alguns petistas que reconhecem que "foi um erro [o Partido] ser pautado por
algumas feministas", aliados consideram que "pode lhe custar a Presidência", e cogitam retirar, em reunião da Executiva nacional, uma proposta aprovada por maioria esmagadora no 3º Congresso da sigla em 2007 e ratificada no 4º Congresso realizado em fevereiro deste ano, e que foi entregue como Programa de Governo da candidata ao Tribunal Superior Eleitoral.
Diante desta tentativa de reformulação, perguntamo-nos:
- O aborto estava ou não estava contemplado no Programa de Dilma Rousseff? A resposta é sim. Para poder tirá-lo, quer dizer que o mesmo estava incluído, sim.