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Com profunda dor

Com profunda dor escrevemos estas linhas, e declaramos desde já nosso filial afeto a todos os Bispos, sucessores dos apóstolos, que desempenham seu ministério na Terra da Santa Cruz.

A dor vem da atitude que alguns dos nossos Bispos e organismos eclesiais estão assumindo em face aos acontecimentos destes últimos dias.

Como se sabe, assim que a confirmação de que haveria segundo turno foi divulgada, o comando da campanha da candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff,  avaliou que um dos fatores que a impediram de ganhar no primeiro turno foi o tema do aborto, que lhes tirou um significativo número de votos entre católicos e evangélicos.

Uma "nova" estratégia, mudar para ganhar

Assim que a confirmção de que haverá segundo turno foi divulgada, o Partido dos Trabalhadores e sua candidata, a senhora Dilma Rousseff, ofereceram à imprensa um posicionamento novo sobre a questão do aborto. Diante do resultado da eleição, muito aquém do que esperavam, a equipe de campanha petista considera que este tema tirou-lhes um significativo número de votos entre católicos e evangélicos.

A manchete da Folha de São Paulo de hoje diz: "PT já discute retirar o aborto do programa de governo". Na capa, a matéria recolhe as declarações afinadas de alguns petistas que reconhecem que "foi um erro [o Partido] ser pautado por algumas feministas", aliados consideram que "pode lhe custar a Presidência", e cogitam retirar, em reunião da Executiva nacional, uma proposta aprovada por maioria esmagadora no 3º Congresso da sigla em 2007 e ratificada no 4º Congresso realizado em fevereiro deste ano, e que foi entregue como Programa de Governo da candidata ao Tribunal Superior Eleitoral.

Diante desta tentativa de reformulação, perguntamo-nos: 
- O aborto estava ou não estava contemplado no Programa de Dilma Rousseff? A resposta é sim. Para poder tirá-lo, quer dizer que o mesmo estava incluído, sim.

Não, senhor Presidente; não, senhora candidata, nossos Bispos não mentem

A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, Dilma Rousseff, perdeu cerca de 6 milhões de votos nas duas últimas semanas, segundo indica uma análise feita pelo jornalista Fernando Canzian, publicada hoje na Folha de São Paulo. Os dados foram calculados a partir dos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto da empresa Datafolha. A diferença da petista para a soma de todos os seus adversários caiu de 14 pontos percentuais para apenas 2, abrindo maiores possibilidades de um segundo turno.

Segundo o próprio jornal, o PT identificou três motivos para a queda: o caso de corrupção da ex-ministra Erenice Guerra, o clima de "já ganhou", e a difusão virtual de "boatos" entre católicos e evangélicos de que Dilma aprova o aborto e o "casamento" homossexual. A materia do jornal utiliza a palavra "boato", tomada diretamente das declarações de petistas do comando da campanha; para eles seria mentira que o PT e sua candidata apóiem o assassinato de nascituros e a equiparação da união civil entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio.