Falar em “tentação” e ”pecado”, parece discurso fora de época; na linguagem corrente, esses conceitos acabam sendo referidos a coisas algo inconseqüentes e infantis, despertando mais sorrisinhos do que preocupação e reflexão séria: tentação de comer um doce, de comprar isso ou aquilo, de ir ao estádio... Cometer um pecadinho, um pecadão! Nada que se leve muito sério.
Acontece que só faz sentido falar de tentação e de pecado quando se tem uma visão religiosa do mundo e da vida, ou seja, quando se leva Deus a sério. O papa Bento XVI recordou isso, falando ao povo na Praça de São Pedro no domingo passado: "Quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Como o desaparecimento do sol faz desaparecerem as sombras - a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus leva necessariamente ao eclipse do pecado".
