Orientações para as eleições 2010

Queridos diocesanos,

1. Primeiramente, é preciso falar da necessidade de se valorizar o voto como expressão fundamental da democracia. A participação no processo eleitoral, de forma consciente e responsável, revela o compromisso com as “realidades temporais”, lugar de revelação da vida doada por Deus.

Além disso, considere-se como importante conquista da sociedade brasileira a lei da Ficha Limpa. Lembre-se, inclusive, de que foi graças à mobilização de muitas comunidades eclesiais que esse projeto passou a ter validade, já para as próximas eleições. Não basta, porém, votar. Não basta mesmo escolher um candidato de ficha limpa, por mais fundamental e importante que ela seja. Nossa missão vai além: levar o candidato de ficha limpa a ser eficaz e a se manter ético durante o exercício do mandato, sempre a serviço do bem comum.

2. Examinar bem os projetos dos candidatos, verificar se suas propostas defendem a dignidade da pessoa e da vida, desde a sua concepção até o seu término natural. A defesa da vida deve traduzir-se em projetos que ajudem a construir a cultura da paz, por meio da inclusão social e da proteção das pessoas contra as diversas formas de violência. A defesa da cultura da vida, no entanto, exige que os valores da bioética não sejam diferentes dos valores da ética social.

3. Deve-se verificar se os candidatos têm compromisso com a questão ecológica, com os cuidados que devem ser adotados para a proteção da infância e da adolescência e para o combate à prostituição, à pornografia e à exploração do trabalho infantil. Apurar se eles defendem a efetivação de políticas públicas para a juventude, as quais promovam a prevenção contra toda forma de violência e se estão engajados na defesa da dignidade e dos direitos dos idosos.

4. A família merece atenção especial, ao analisarmos as propostas dos candidatos. Como cristãos empenhados na defesa do projeto de Deus para a família, devemos avaliar com discernimento as propostas relacionadas com ela e ao desenvolvimento integral de seus membros. Como se posicionam, por exemplo, os candidatos em relação ao aborto? Devemos estar atentos para avaliar o comprometimento deles com políticas públicas que assegurem a promoção dos valores que possibilitam acesso a todos os benefícios sociais que devem ser assegurados num Estado de direito.

5. No campo da educação, há que se observar a defesa de uma escola pública de qualidade, além de incentivo à escola particular e ao ensino religioso escolar confessional e plural, segundo o acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé. Deve ser apoiada a democratização dos meios de comunicação, assegurando a todos os segmentos da sociedade civil organizada o acesso a esses meios e o direito à informação completa.

Essas são algumas ideias sobre como podemos envolver nossas comunidades na reflexão sobre as questões que tocam o progresso e o desenvolvimento do nosso País. Com o Papa Bento XVI, na encíclica Caritas in Veritate, constatamos que “perante os enormes problemas do desenvolvimento que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo, que nos torna cientes deste dado fundamental: “sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5), e nos encoraja: “eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Dom José Negri é Bispo da Dioceses de Blumenau, em Santa Catarina.
Blumenau, 28 de Setembro de 2010.